Monday, 17 August 2026

O silêncio que habita entre nós

Não sei bem o que dizer, apenas que você mora aqui, ó, ao lado esquerdo do peito. Embora o silêncio entre nós tenha aberto uma cratera na relação espaço e tempo, me sinto impedido de lhe escrever. Gostaria de lhe dizer tanta coisa, mas nesse momento, não posso. 

O silêncio, quando dura bastante, ganha massa. Vira gravidade, deforma a relação entre o espaço e o tempo e faz com que cada palavra não dita pese como se carregasse toneladas de sentimentos acumulados.

Não é fácil sentir o silêncio que habita a solidão. Talvez pegar um  pincel e começar um quadro novo abrisse novos horizontes e perspectivas nessas noites de insônia e mal dormidas que insistem em se repetir, mas nem posso culpá-la por isso, afinal de contas, a conta é só minha, a conta  dessa ideia doida de querer você em minha vida e tentar pintar você na tela, seria imperativo, mas, não sei se seria uma boa ideia.

Não sei se existe coragem na madrugada, mas como seria pintar a sua ausência? Alguns poetas dizem que a noite foi feita para sentir, então acho melhor escrever crônica, pois através dela, seria mais fácil expressar o que sinto e fico pensando como seria descrever a nossa noite mágica.

Dizem por aí que a magia é o mistério da transformação. É aquilo que acontece no intervalo exato entre o invisível e o tangível. É a capacidade de pegar a dor, o silêncio e as noites mal dormidas e transformá-los em algo capaz de tocar a alma de outra pessoa.

Mas, como seria tocar a sua alma com o silêncio? No toque silencioso, o tempo perde a pressa. As noites de insônia deixam de ser uma cobrança e viram cumplicidade com o invisível. É nesse hiato que o invisível ganha contornos: a memória de um olhar se acalma, a saudade encontra um pouso seguro e a solidão perde a capacidade de ferir.


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