Não posso dizer ao mundo o que sinto por você. Creio que nos tempos atuais, o segredo é guardar as emoções, mas minha vontade mesmo é de dizer ao mundo o que você representa para mim.
Existe uma urgência quase infantil em mim em que a vontade desmedida de subir no ponto mais alto da cidade, encher os pulmões e gritar o seu nome é gigante. Gritar para os pedestres apressados, para os carros no engarrafamento e para os pombos da praça o tamanho exato do espaço que você ocupa em mim. Queria postar em caixa alta, fazer um alarde bonito. Dizer ao mundo, com todas as letras, o que você representa.
Mas não digo. E não é por falta de coragem, é por excesso de zelo.
O mundo anda estranho e cínico, sabe? Qualquer afeto sincero demais assusta. Qualquer sentimento sem filtro ganha rótulo, palpite, análise não solicitada. O mundo tem essa mania feia de querer tocar no que é delicado demais para os corações alheios com as mãos sujas de pressa e estupidez.
Por isso, fecho os olhos, acalmo o coração e guardo em segredo.
O que você representa para mim não cabe em anúncio, não cabe em praça pública. Cabe aqui, no espaço exato entre o meu silêncio e a minha crônica.

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