Tuesday, 18 August 2026

O mundo não precisa saber de nós!!

Não posso dizer ao mundo o que sinto por você. Creio que nos tempos atuais, o segredo é guardar as emoções, mas minha vontade mesmo é de dizer ao mundo o que você representa para mim.  

Existe uma urgência quase infantil em mim em que a vontade desmedida de subir no ponto mais alto da cidade, encher os pulmões e gritar o seu nome é gigante. Gritar para os pedestres apressados, para os carros no engarrafamento e para os pombos da praça o tamanho exato do espaço que você ocupa em mim. Queria postar em caixa alta, fazer um alarde bonito. Dizer ao mundo, com todas as letras, o que você representa.

Mas não digo. E não é por falta de coragem, é por excesso de zelo.

O mundo anda estranho e cínico, sabe? Qualquer afeto sincero demais assusta. Qualquer sentimento sem filtro ganha rótulo, palpite, análise não solicitada. O mundo tem essa mania feia de querer tocar no que é delicado demais para os corações alheios com as mãos sujas de pressa e estupidez.

Por isso, fecho os olhos, acalmo o coração e guardo em segredo.

O que você representa para mim não cabe em anúncio, não cabe em praça pública. Cabe aqui, no espaço exato entre o meu silêncio e a  minha crônica.

Monday, 17 August 2026

O silêncio que habita entre nós

Não sei bem o que dizer, apenas que você mora aqui, ó, ao lado esquerdo do peito. Embora o silêncio entre nós tenha aberto uma cratera na relação espaço e tempo, me sinto impedido de lhe escrever. Gostaria de lhe dizer tanta coisa, mas nesse momento, não posso. 

O silêncio, quando dura bastante, ganha massa. Vira gravidade, deforma a relação entre o espaço e o tempo e faz com que cada palavra não dita pese como se carregasse toneladas de sentimentos acumulados.

Não é fácil sentir o silêncio que habita a solidão. Talvez pegar um  pincel e começar um quadro novo abrisse novos horizontes e perspectivas nessas noites de insônia e mal dormidas que insistem em se repetir, mas nem posso culpá-la por isso, afinal de contas, a conta é só minha, a conta  dessa ideia doida de querer você em minha vida e tentar pintar você na tela, seria imperativo, mas, não sei se seria uma boa ideia.

Não sei se existe coragem na madrugada, mas como seria pintar a sua ausência? Alguns poetas dizem que a noite foi feita para sentir, então acho melhor escrever crônica, pois através dela, seria mais fácil expressar o que sinto e fico pensando como seria descrever a nossa noite mágica.

Dizem por aí que a magia é o mistério da transformação. É aquilo que acontece no intervalo exato entre o invisível e o tangível. É a capacidade de pegar a dor, o silêncio e as noites mal dormidas e transformá-los em algo capaz de tocar a alma de outra pessoa.

Mas, como seria tocar a sua alma com o silêncio? No toque silencioso, o tempo perde a pressa. As noites de insônia deixam de ser uma cobrança e viram cumplicidade com o invisível. É nesse hiato que o invisível ganha contornos: a memória de um olhar se acalma, a saudade encontra um pouso seguro e a solidão perde a capacidade de ferir.


O ronco dos motores e o encontro: crônica da Avenida Bento de Abreu

  A Avenida Bento de Abreu nunca foi apenas asfalto, calçada e canteiro central. Em Araraquara, ela sempre funcionou como um estado de espír...