Thursday, 22 December 2011

Democracia política x democracia social

A democracia política não se sustenta apenas com as liberdades políticas concedidas pelas Constituições. Democracia significa muito mais do que um jogo de palavras. A democracia precisa ser consolidada no cotidiano através de ações práticas que sejam capazes de alterar a vida das pessoas. Muito mais importante do que a liberdade de expressão é a liberdade econômica e social.
Sem a liberdade econômica e social é impossível sustentar uma democracia política por muito tempo. Recentemente em pesquisa organizada pelo Latinobarômetro, organização que estuda a democracia na América Latina chegou-se à conclusão que em determinados países do continente, a maioria aprova uma ditadura desde que tenha a tão sonhada "democracia social". Isso significa que vale  mais um prato de arroz com feijão na mesa do que a liberdade de expressão. 
A democracia ainda é um instrumento político recente no continente latino-americano e ela não está sendo capaz de cumprir suas promessas, como diria o pensador italiano Norberto Bobbio. Mesclar representação política com participação política é o caminho mais curto para se atingir os dois pilares de sustentação da democracia: liberdade de expressão e distribuição de renda.

Friday, 10 June 2011

O aperfeiçoamento da democracia no combate à corrupção

Não é novidade para ninguém a crise vivida pelas democracias contemporâneas. A sociedade de mercado foi capaz de fazer a fusão entre o que é público e o que é privado, a economia se sobrepôs à política, o Poder Executivo adquiriu "plenos" poderes e o Poder Legislativo, braço direito do sistema democrático se definhou.
Mas, nem tudo se perdeu na democracia contemporânea. Se por um lado o papel do Poder Legislativo se tornou "pequeno", por outro, emergiu o fenômeno da participação política. Nesse contexto, inúmeros Conselhos Municipais e audiências públicas foram desenvolvidos pelo país afora na ânsia de aperfeiçoar o sistema democrático e aproximar a sociedade das decisões do Estado.
O aperfeiçoamento do sistema democrático através da aproximação da população das decisões do Estado é o caminho mais curto para a diminuição dos esquemas de corrupção organizados no país. Se uma sólida reforma política for votada e unida aos processos de vigilância, a chance de termos uma democracia mais fortalecida é muito maior. 

Thursday, 9 June 2011

Qual reforma política?

Nos últimos anos o assunto reforma política se tornou o centro dos debates políticos no país. Algumas questões em torno do tema foram colocadas em pauta: a lista partidária, votação proporcional, fidelidade partidária, todas estas questões são importantes realmente para o desenvolvimento da democracia no país.
No entanto, se tratam de questões que não alteram diretamente a realidade política brasileira e mascaram uma reforma política mais profunda. O ponto nevrálgico da reforma política é a questão da reeleição para os poderes Executivo e Legislativo. O instrumento da reeleição é capaz de transformar a política em profissão, o que faz o mesmo indivíduo ficar muitos anos, seja nas Câmaras de Vereadores, Assembléias Estaduais ou mesmo na Câmara Federal e ainda pleitear aposentadoria por função desempenhada.
Em linhas gerais, a reforma política também precisa ser repensada para poder ter a efetividade que realmente o povo brasileiro necessita, resta saber, qual reforma se quer implementar, aquela que possui um caráter superficial e como o adágio popular diz "para inglês ver" ou uma reforma mais profunda que irá combater seriamente os esquemas de corrupção montados no país.

O Estado brasileiro e a elite política brasileira

Não é segredo para ninguém o súbito enriquecimento do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. O sensacionalismo feito pela mídia de uma forma geral, contribuiu para a massificação do caso, no entanto, é preciso salientar que a prática de se utilizar o Estado para se enriquecer é antiga na política brasileira.
O livro escrito por Raymundo Faoro, denominado "Os donos do poder" em meados do século passado já apontava que o Estado Brasileiro nasceu acompanhado da família. Isso significa que o Estado nada mais é do que o quintal da casa daqueles que possuem o poder político, em linhas gerais, se utilizar do Estado para se enriquecer é uma prática comum dos políticos brasileiros.
Tal realidade não muda no decorrer dos anos, embora haja mais vigilância por parte da mídia e da opinião pública, pois trata-se de uma cultura da política brasileira. Para alterar tal realidade é necessário um trabalho a longo prazo junto a todos os setores da sociedade, levando ao seu conhecimento a história e as peculiaridades da política brasileira, possibilitando o seu entendimento para que tais práticas diminuam com o passar dos anos.

Wednesday, 4 May 2011

A mulher na política brasileira

Interessante o texto de Luiz Felipe Miguel e Cristina Monteiro de Queiroz que traz à tona a discussão sobre as mulheres na política brasileira. O estudo traz apontamentos interessantíssimos para o entendimento da questão. Vale a pena lê-lo.




Mudanças no processo eleitoral brasileiro

Texto de André Borges que debate as mudanças no cenário eleitoral brasileiro.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782010000100011&lng=en&nrm=iso

Clientelismo na Política Brasileira

Texto de Elsio Lenardão que discute a questão do clientelismo político no Brasil.


http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-44782008000200014&lng=en&nrm=iso

Monday, 11 April 2011

A diferença entre a política e a gestão

Tenho lido nos noticiários a dificuldade que a oposição está encontrando para encaixar um discurso em relação à gestão de Dona Dilma Rousseff. A dificuldade encontrada se estabelece justamente na forma de fazer política adotado pela Presidente. É que ela faz gestão, e não política na acepção máxima da palavra.

A Presidente, administra, fala pouco, colocou técnicos no poder, não entra em barganha, tem discurso pragmático e age pontualmente em cima de questões que ela considera relevantes. Nesse sentido, age de forma diferente de quem é político profissional. O político, barganha, indica amigos para cargos, as questões técnicas ficam em segundo plano e age sempre em benefício da aliança política ou dos interesses dos partidos políticos.

Dilma Rousseff é diferente, usa o partido político apenas como instrumento para estar no poder. Não possui muita habilidade política, por isso, dialoga pouco, é acostumada a dar ordem. Embora essa forma de atuar esteja sendo consolidada nos últimos cem dias de governo, se trata de uma plataforma perigosa, tendo em vista a cultura política estabelecida no país, acostumada a apadrinhamento e tapinhas nas costas.

Monday, 17 January 2011

O que é marketing político

Quando se fala em marketing a primeira coisa que nos vêm a cabeça é a ação para o mercado. Na construção do marketing político não pode ser diferente, tendo em vista que o candidato se transforma em produto para o eleitorado.
A ação tendo em vista o marketing político elabora um discurso, projeta uma imagem e dimensiona os aspectos positivos do candidato, viabilizando um mandato em que o foco seja sempre o eleitorado.
A tentativa de se “vender” o candidato para o eleitorado é o principal foco do marketing político tendo em vista as eleições, seja ela de caráter municipal ou nacional.
No entanto, algumas considerações precisam ser feitas quando o assunto é marketing político. O que salta aos olhos é a dimensão eleitoreira que dimensiona os trabalhos, ora, as ações de marketing precisam ter continuidade após o pleito. Ela não pode ficar concentrada apenas nos períodos eleitorais, “fazer” eleição é um ato contínuo, o candidato tenha sido eleito ou não, precisa dar continuidade aos trabalhos tanto para justificar o mandato, quanto para dizer ao eleitorado que é a alternativa política mais viável.
Os instrumentos para o marketing político ganharam dimensão e proporção quando houve a expansão da democracia 2.0, ou seja a veiculação das informações via web. Os instrumentos fazem parte do discurso político contemporâneo e precisam ser utilizados por maestria por aqueles que estão no comando das candidaturas.

Saturday, 15 January 2011

As enchentes e o descaso político

Falar sobre enchentes nessa época do ano é repetir tudo o que vem sendo dito por aí, no entanto, este blogueiro tenta sair um pouco do senso comum e estabelecer um parâmetro para analisar a questão, coisas que as grandes redes de televisão e até mesmo a internet não gostam de apontar mas, se faz necessário tendo em vista as mortes causadas.
Os grandes vilões são os políticos dessas cidades, prefeitos e vereadores que permitem as construções em áreas de risco. Eles dão autorização para construção ou se não dão, também não são capazes de fiscalizar o que está sendo feito nos municípios.
A pergunta que cabe nessa situação é a seguinte: mais vale regularizar essas áreas mesmo sabendo dos riscos que os moradores correm e cobrar o IPTU ou preservar as pessoas dessas situações?
Para não desagradar os moradores ou associações de bairros os políticos se curvam aos interesses proeminentes e se preocupam apenas com a próxima eleição, enquanto a população paga o preço do descaso político.

A qualificação técnica do político

O fenômeno da mundialização ocasionou várias transformações sobre o mundo - as relações sociais se alteraram, as relações economicas se sobrepuseram e como não poderia deixar de ser diferente também alterou sobremaneira as relações políticas.

No que concerne às relações políticas compete salientar que as decisões que são decorrências delas precisam ser tomadas em curto espaço de tempo, tendo em vista as necessidades econômicas que lhe são provenientes, sendo assim, para que sejam tomadas as decisões, os políticos precisam estar tecnicamente bem formados, uma vez que precisam deliberar sobre vários temas ao mesmo tempo, e o que é pior, sem tempo para discutir tecnicamente.

Como diz o ditado, "tempo é dinheiro" e esse adágio popular está mais vivo do que nunca. Para poder dar conta da demanda política existente e que não é pequena, o político precisa ter uma qualificação técnica cada vez maior se quiser ser ouvido e respeitado e deixar de ser inúmeras vezes manipulado por técnicos das mais variadas áreas.

Friday, 14 January 2011

O planejamento e a campanha política

Uma campanha política não pode ser feita sem um planejamento. No entanto, o que signfica planejar? Planejar significa colocar objetivos e estabelecer meios para atingí-los.
Numa campanha política como não poderia ser diferente, para fazer o planejamento tem que se levar em conta as características do candidato. Cada candidato é único e possui as suas próprias peculiaridades.
O candidato tem que levar em conta para fazer um bom planejamento político: as cidades, as relações sociais, o discurso a ser organizado e as plataformas de ação.
Compete salientar que as estratégias para o planejamento são únicas, ou seja, cada candidato terá uma forma de atuar junto ao eleitorado, isso significa que as "fórmulas" de atuação não serão iguais para todos os candidatos.

A campanha política, o blog e as redes sociais

As campanhas políticas ganharam grandes aliadas nos últimos anos com o desenvolvimento da democracia 2.0. Trata-se de ferramentas de trabalho que são capazes de atingir um número incalculável de pessoas dependendo do trabalho a ser realizado.

As redes sociais, como orkut, o facebook e o twitter por serem capazes de aglutinar grande número de pessoas se transformaram em ferramentas indispensáveis para as campanhas, no entanto, uma ferramenta que se destaca entre elas é o blog.

O blog é capaz de fazer com que o candidato escreva as suas idéias e divulgue a sua agenda. São essas questões que dão firmeza ao eleitor. Através dele o candidato também pode estabelecer um feedback com os eleitores, criando uma relação sadia de responsividade.

No entanto, algumas questões o candidato deve ficar atento - claro que nao se trata de estabelecer censura, mas sim de monitoramento. Todas as ferramentas da internet que são utilizadas para uma campanha ou mesmo para um processo de desenvolvimento de mandato devem ser monitoradas tendo em vista os vários interesses em jogo.

Thursday, 13 January 2011

Os prefeitos, os crimes e a Polícia Federal

A Polícia Federal está apontando que três mil prefeitos brasileiros estão sendo investigados por vários tipos de crime: corrupção, desvios de verbas e por aí vai. Uma notícia dessas não é mais capaz de chocar a opinião dos brasileiros – paira sobre a nação o descrédito e o asco que a política ultimamente ocasionou sobre a população.
O que mais choca é de saber que o Brasil possui aproximadamente seis mil municípios. Isso significa que mais de cinqüenta por cento das cidades brasileiras possuem os seus prefeitos sendo investigados pela PF.
Relacionar política com crime é um negócio perigoso pois é capaz de colocar em cheque o sistema político vigente. Lembrando que o prefeito pertence ao Poder Executivo, aquele que é capaz de direcionar as ações políticas e que também possui a chave do cofre.
Obs: Os crimes na política brasileira acontecem nos municípios. Em Brasília ocorre apenas a ratificação deles.

Tuesday, 11 January 2011

A importância da agenda política

Muitos candidatos desconhecem, mas uma boa campanha política começa pela organização de uma agenda. A agenda precisa comportar visitas a membros de todos os segmentos sociais: metalúrgicos, bancários, comerciários, associações de bairros, etc.
Para isso se faz necessário tomar as decisões com antecedência. Não se pode deixar para fazer campanha nos últimos três meses antes do pleito. A campanha política tem que ser feita durante o período que antecede a eleição, claro que os devidos cuidados são necessários para não ferir a legislação eleitoral, mas um caminho pode ser aberto tendo em vista os interesses que se estabelecem.
Essas visitas e diálogos fornecerão subsídios necessários para o mapeamento das questões pontuadas e servirão de base para o discurso a ser organizado durante a campanha.

José Sarney: o rei do Senado

Entra governo e sai governo, está ele lá na presidência do Senado. As vezes se afasta da presidência, mas torna-se o "melhor" amigo do rei ou digo, do Presidente. Dessa vez, aliado assumido do ex-presidente Lula e companheiro da campanha de Dona Dilma, está à frente do senado novamente e vai conduzí-lo em busca da melhor governabilidade.
Eu estou falando de José Sarney, dinossauro da política brasileira que vai assumir novamente a presidência do Senado. Tudo bem que o PMDB possui a maioria dos membros da Casa e tem o direito de ficar com a presidência. O problema é: não existe outro nome que seja capaz de assumir a presidência do Senado, a não ser José Sarney?
O importante ressaltar é que vivemos em um sistema democrático e que o rodízio de lideranças faz bem não só para o fortalecimento do sistema político como também é capaz de faz surgir novas idéias e novos estilos de "fazer política". O PMDB por mais fisiologista que seja possui nomes suficientes para colocar em seu lugar, resta saber se possui o mesmo poder de influência sobre a política brasileira.

Dona Dilma e a conta do PMDB

A governabilidade é a questão política que mais deve preocupar Dona Dilma. E o que há de se temer por ela é justamente o seu vice, Michel Temer. Político de renome e criado no meio das raposas do Congresso pertence ao PMDB, partido sem linhagem política definida, mas que ama o poder. O PMDB por ser grande demais possui condições de barganhar, jogar, impor derrotas e muitas de vezes de dar as cartas.
A temeridade já começou e tem nome, salário mínimo. O partido possui uma proposta diferente da do governo e já começou a incomodar. Temer por sua vez, tem que fechar com o governo, por ser vice, tem essa obrigação, mas, com certeza irá subir no muro e ver as discussões entre o partido e o governo da arquibancada e já avisou que deixará a liderança do partido tomar a frente das negociações.
Com certeza, a guerra da governabilidade no governo de Dona Dilma está apenas começando.

Sunday, 9 January 2011

Lula e o medo de decidir

Está certo que Lula terminou o seu mandato com alto índice de aprovação pela população. Fez um governo com característica populista e usou do seu carisma para cativar até mesmo alguns opositores históricos, mas, deixou uma herança para a Dona Dilma, ou melhor, algumas heranças políticas que podem custar a popularidade da nova presidente ainda em início de mandato, isso porque teve medo de tomar decisões difíceis e que poderiam custar um pouco de sua popularidade, por isso, terceirizou as decisões.
Me refiro ao caso Batisti e o processo de compra dos caças que estavam a pleno vapor durante o final de seu mandato. Dona Dilma terá que ter habilidade política para lidar com temas tão espinhosos no início de mandato. O caso Batisti vai para a corte de Haia e precisará de uma diplomacia mais refinada para ser resolvido, o caso dos caças sofre com os inúmeros lobbies e interesses envolvidos.
Não se trata agora de achar que Dona Dilma não terá habilidade o suficiente para resolvê-los, o caso é ratificar a dificuldade de um político populista como Lula de tomar decisões políticas "difíceis", tendo em vista que havia tempo o suficiente para resolvê-los dentro de seu governo e ainda poderia ter utilizado de sua popularidade para resolvê-los, mas, no entanto, preferiu passar adiante as decisões.

A difícil relação entre o assessor político e o político

A relação entre o assessor político e o político nem sempre foi fácil de compreender. O assessor possui uma formação mais técnica e intelectual e o político na maioria das vezes pensa e age na base da emoção, tendo em vista que nem sempre possui condições intelectuais para exercer um cargo mas possui através das urnas a legitimidade suficiente para um mandato.
É sobre esse pano de fundo que surgem os atritos entre o assessor e o político. O político costuma fazer "aquilo que quer" na campanha ou mesmo no gerenciamento do seu mandato, sem levar em conta as opiniões dos que o assessoram.
Uma campanha política ou o gerenciamento de um mandato precisam ser organizados dentro de parâmetros racionais para que não haja erro tanto no público alvo quanto nas questões a serem pontuadas.
O assessor organiza o caminho para a tomada de decisões. É claro que essas questões precisam ser pontuadas juntamente com o político através de reuniões periódicas e com temas definidos, assim, pode-se estabelecer os critérios para atuação da assessoria política. Na verdade, esse seria o caminho ideal para a construção de uma relação salutar e racional entre os assessores e o político, mas nem sempre isso ocorre.
O político levado pela sua personalidade forte e centralizador muitas vezes faz do assessor apenas um fantoche, na medida em que sempre as suas opiniões é que precisam prevalecer, por isso a contratação de um assessor dificilmente passa por critérios racionais - é mais fácil contratar um parente para o organizar as campanhas e organizar a agenda do que se preocupar em contratar um profissional habilitado para organizar a campanha ou gerenciar o mandato, tendo em vista que este vai duvidar, fazer proposta, estabelecer parâmetros e critérios, chamar reuniões e assim se transformar em um "problema" para o político.

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