Thursday, 17 October 2013

A educação e a política: duas vocações?

Estou acompanhando atentamente as manifestações pelo país afora organizadas pelos professores na busca por melhores salários e reconhecimento da profissão e me lembrei de quando morava em Curitiba de ter ouvido uma frase proferida pelo então prefeito Cassio Taniguchi sobre os docentes: "professor não é profissão, é vocação". Essa frase sintetiza o pensamento dos políticos brasileiros quando o assunto é educação, por isso o atual cenário de descaso e desvalorização docente. Acontece que o mesmo não acontece com a classe política, vale lembrar que política também não é profissão, é vocação, assim como diz Max Weber em texto no livro Ciência e Política: duas vocações. No Brasil, a política foi transformada em profissão e carreirista de forma equivocada por uma democracia que ainda dá os seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento e que se encontra em fase de reestruturação.

Wednesday, 16 October 2013

O Poder Executivo, a corrupção e a transparência política

Agora pela manhã, quando abri um portal de notícias me deparei com a seguinte informação: Prefeitos de 12 cidades de Goiás são presos por fraudes em licitação de remédios. É claro que tal notícia não espanta mais ninguém, tendo em vista a banalidade e a futilidade que reveste a corrupção no Brasil. No entanto, a questão cerne do problema não é com a indignação que a notícia gera, mas sim com o poder que o Poder Executivo "ganhou" nos últimos anos, beirando até mesmo ao despotismo de fazer inveja a alguns reis da Idade Média, tendo em vista a legalidade que o cerca. Hoje, o Poder Executivo, governa, legisla e executa e está cabendo à Polícia Federal investigar as suas ações. Ora, quem tem que "investigar" as ações do Poder Executivo é a população através de mecanismos de transparência política. A democracia brasileira precisa de forma urgente criar mecanismos de transparência para que a população possa "controlar" as ações dos políticos, tanto do Poder Executivo, quanto do Poder Legislativo e não ficar dependendo de investigações da Polícia Federal que deveria se preocupar com outras coisas: tráfico de drogas, contrabando e outros crimes. Obs: A corrupção vai ser extinta quando a democracia se aproximar da população.

Monday, 14 October 2013

Dilma Roussef e a espionagem americana: qual é a novidade?

Recentemente assisti a revolta da Presidente Dilma Roussef com o caso da espionagem norte-americana e fiquei pensando sobre o tema - mais do que isso, tentei juntar as peças de um quebra-cabeça que não é muito difícil de ser montado, desde que se conheça um pouco a história do Brasil. Para isso vou retomar o Brasil de João Goulart e os movimentos sociais que surgiram em meados dos anos 60, pedindo entre outras coisas as reformas de base na educação, na saúde, na habitação e etc. Nesse período, João Goulart era suscetível às reivindicações da população e iniciava seu projeto de reforma quando ocorreu um movimento nos quartéis e logo em seguida o Golpe Militar no fatídico 31 de março de 1964. Pois bem, naquele período, quem apoiava os militares para a prática do golpe era justamente os americanos que tinham medo do movimento socialista se alastrar pela América Latina, uma vez que Cuba já havia sido tomada por Fidel, Che Guevara e Camilo Cienfuego. Dilma Roussef era membro de partido político e lutava literalmente contra as forças militares contra a opressão que se instalava no país e sabia da influência da política norte-americana sobre os militares, tanto é assim que tanto Dilma quanto o "nosso glorioso J.D. do mensalão" estavam envolvidos no sequestro do embaixador americano. Os militares brasileiros e os americanos dividiram as diretrizes da política brasileira, se não de uma forma mais direta, mas pelo menos no mundo das idéias e na forma de investimento para que o golpe contra a democracia se efetivasse. De uma forma geral, Dilma sabe da interferência política americana sobre a política brasileira desde os anos 60 e mesmo depois de todas as mudanças políticas ocasionadas com o desenvolvimento da democracia, as missões de espionagem e defesas de interesses continuam - é claro que o contexto se altera, hoje existe internet, redes sociais, twitter,itens indispensáveis à sobrevivência humana que são controladas por americanos e com sedes em cidades americanas, aliados a isso, a necessidade dos americanos continuarem a exercer seu papel de lider político e econômico mundial e nesse contexto, não há nada de espantoso. O que Dona Dilma teria que ficar perplexa e estarrecida é com a atuação dos políticos no Brasil envolvidos em esquema de corrupção, a falta de dinheiro para a educação, o descaso com a saúde e outros itens de primeira necessidade da população brasileira. Esses itens sim, mereciam um discurso na ONU e o ar de perplexidade.

Sergio Cabral: o (des) governador do Rio de Janeiro

Acabei de ler a reportagem feita por Daniela Pinheiro da Revista Piaui sobre o (des)governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral e por isso me aventurei a escrever esse pequeno texto. Quero começar escrevendo que a visão política que Cabral possui não é diferente da que a classe política brasileira possui como um todo, salvo um ou outro político com formação social distinta. Cabral sempre foi membro da elite cultural e política brasileira. Não tem suas raízes fincadas nas ruas e em movimentos sociais. Sempre se caracterizou como um político de gabinete, começou a sua "aventura" política no braços da família Neves, com a qual tem relações de parentesco e com traições de fazer inveja a Maquiavel chegou ao ápice de sua carreira política se elegendo governador do Rio de Janeiro. Sergio Cabral é mais um membro da classe política envolvido com esquemas de empresários e que utiliza bens do Estado em seu próprio benefício - dentro desse contexto, não há nada de novo no cenário político brasileiro e aos olhos do eleitor comum, não há nada mais normal, afinal de contas, todos os dias a mídia noticia uma outra nota sobre fatos desse tipo, causando até a banalização dos fatos políticos. A novidade está no desenvolvimento do movimento Fora Cabral, ancorado pelos desmandos e pela arrogância do (des)governador Sergio Cabral. Mesmo que o movimento não seja uniforme e retilíneo, há de se considerar a sua importância, tendo em vista que o mesmo se caracteriza como um grito de socorro da sociedade pelas atitudes dos políticos mais conservadores, como é o caso de Sérgio Cabral. Acontece que essas atitudes fazem parte de um contexto cultural mais amplo, onde o público e o privado se misturam, dificultando a análise de suas fronteiras e colocando pedras no caminho de quem quer seguir o mundo da ética. Se o Movimento Fora Cabral der resultado, daqui a pouco não vai sobrar presidentes, governadores e prefeitos, tendo em vista que as práticas políticas são sempre as mesmas e as de Sergio Cabral me parecem estar mais à mostra.

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