Sunday, 18 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Waguinho Fiorini - Jornalista

 

Waguinho Fiorini relembra com carinho sua trajetória com a Associação Ferroviária de Esportes. Sua relação com o clube começou ainda na infância, quando era apenas um torcedor de arquibancada. Ele recorda os tempos em que o estádio da Fonte Luminosa tinha arquibancadas de madeira e uma árvore próxima ao gol de entrada. Era o início dos anos 1970, e ele já acompanhava o time com paixão, vivendo alegrias e tristezas típicas do futebol.

Waguinho conta que a Ferroviária sempre teve grandes jogadores e times que davam orgulho à cidade de Araraquara. Naquela época, o estádio estava sempre lotado, independentemente do adversário. Havia uma relação muito próxima entre o clube e a torcida. A Ferroviária ia até as escolas, distribuía ingressos e conquistava novos torcedores. Foi assim que nasceu o amor de Waguinho pelo time.

Com o passar dos anos, ele percebeu que essa relação se esfriou. Hoje, os jogadores estão mais distantes da torcida, os treinos são fechados e o contato com o público diminuiu. Além disso, a facilidade de assistir aos jogos pela televisão e pelas plataformas digitais afastou parte dos torcedores do estádio.

A paixão pelo rádio surgiu cedo. Waguinho lembra que passava os domingos ouvindo transmissões esportivas, encantado com narradores como Fiore Gigliotti. Seu sonho era trabalhar em rádio, e em 2007 conseguiu realizar esse desejo ao fazer um curso de radialista. Em 2009, ingressou na equipe “Campeões da Bola”, da Rádio Cultura, onde permanece até hoje.

Ele começou como plantonista esportivo, função que exige acompanhar todos os campeonatos, regulamentos e resultados. Apesar de ser torcedor da Ferroviária, Waguinho aprendeu a separar o lado emocional do profissional. Mantém o equilíbrio ao comentar sobre o time, mesmo nos momentos difíceis.

Ao longo da carreira, recebeu elogios e críticas, mas sempre manteve o respeito. Recorda com emoção o telefonema do então presidente Mário Joel Malara, que o parabenizou por uma homenagem feita após uma vitória marcante da Ferroviária. Também viveu momentos de tristeza, como derrotas em finais, mas sempre manteve o profissionalismo no ar.

Sua relação com a torcida é de respeito e carinho. Muitos o reconhecem pela voz, já que durante anos ele trabalhou apenas no estúdio. Com o avanço das redes sociais, passou a ser mais conhecido visualmente. Ele lamenta, porém, a ausência de jovens nos jogos da Ferroviária. Acredita que o clube precisa se aproximar das escolas e das crianças, como fazia antigamente, para formar novos torcedores.

Waguinho defende que a Ferroviária resgate sua história e identidade. Sugere que o clube produza materiais educativos e promova encontros entre ex-jogadores e alunos, para que as novas gerações conheçam a importância da equipe para Araraquara. Ele acredita que o distanciamento atual entre torcida e clube também se deve à gestão moderna, com diretores e investidores de fora da cidade, que não têm vínculo afetivo com a Ferroviária.

Sobre o futebol atual, ele avalia que a Série A2 do Campeonato Paulista tem nível técnico baixo e que o time da Ferroviária poderia render mais, considerando o elenco entrosado e a boa campanha recente na Série C do Campeonato Brasileiro. Para ele, o regulamento da A2 é ingrato, pois o mata-mata pode eliminar equipes bem classificadas.

Waguinho acredita que a Ferroviária precisa montar um novo elenco para disputar a Série B do Campeonato Brasileiro, pois enfrentará adversários fortes e tradicionais. Na sua visão, o ideal seria o clube se manter na Série B nacional e na Série A1 do Paulista, consolidando-se nessas divisões.

Ele também comenta sobre as dificuldades do torcedor em frequentar o estádio. O futebol ficou caro: estacionamento, alimentação e ingressos pesam no bolso. Além disso, regras excessivas e abordagens rígidas afastam o público. Casos como o de torcedores impedidos de entrar com objetos simples, como jornais ou batons, mostram o quanto a experiência no estádio se tornou desgastante.

Mesmo com os desafios, Waguinho mantém o amor pelo rádio e pela Ferroviária. Ele acredita que o clube ainda pode resgatar o vínculo com a cidade e voltar a viver dias de glória, desde que valorize sua história, seus torcedores e suas raízes.