Sunday, 18 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Chico Santoro - Arquiteto

  


Chico Santoro, arquiteto e amante da música popular brasileira, fala sobre sua trajetória e reflexões sobre arquitetura, urbanismo e música.

O arquiteto, pela sua gênese, tem uma ligação muito grande com a arte, a engenharia, as exatas e o social. É formado para dar soluções sociais à população de forma geral. No entanto, é pouco utilizado em construções de aspecto social, como grandes conjuntos habitacionais, que muitas vezes são padronizados e sem áreas verdes.

Para Chico, a arquitetura moderna ainda prevalece, mesmo em 2025. Ele cita Oscar Niemeyer, Vilanova Artigas, Ruy Ohtake e Le Corbusier como grandes nomes. Acredita que o arquiteto deve criar, não seguir modas, pois a moda pode ser passageira e até “burra”.

Ele critica a falta de modernidade em muitos prédios brasileiros, que ainda utilizam elementos clássicos ultrapassados. Destaca o edifício Copan, de Niemeyer, como exemplo de arquitetura moderna e funcional.

Chico defende que um bom projeto não é necessariamente mais caro e que o arquiteto pode até economizar recursos ao cliente com um bom planejamento. Ele observa que muitas casas em condomínios são semelhantes, resultado de modismos e não de arquitetura verdadeira, que deve unir beleza e função.

Ao falar sobre o espaço urbano, critica a “arquitetura de campo de concentração”, com muros altos e cercas elétricas, reflexo da insegurança e da violência. Ele também comenta sobre a poluição visual causada por fios e postes nas cidades, defendendo o embutimento da fiação, ao menos nas áreas centrais.

Chico considera que as cidades brasileiras são feias por falta de planejamento. Cita Brasília como exemplo de cidade planejada e organizada. Para ele, o planejamento urbano é uma ferramenta essencial, mas depende da vontade política para ser efetivo.

Ele relembra sua experiência como secretário de planejamento, quando trabalhou na criação de leis para evitar a especulação imobiliária e melhorar a qualidade de vida urbana. Defende a importância de áreas verdes, permeabilidade do solo e fiscalização constante.

Chico cita o conceito de “acupuntura urbana”, de Jaime Lerner, que propõe pequenas intervenções capazes de transformar a cidade. Ele lamenta a perda da arborização em Araraquara e defende o replantio e a manutenção das árvores.

Sobre Curitiba, destaca o papel do IPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) e o legado de Jaime Lerner, que transformou a cidade em referência mundial de urbanismo. Para ele, Araraquara deveria ter um instituto semelhante, com técnicos dedicados exclusivamente ao planejamento urbano.

Chico acredita que é possível fazer boa arquitetura mesmo com poucos recursos, desde que haja planejamento e sensibilidade estética.

Além da arquitetura, Chico é apaixonado pela música popular brasileira. Ele conta que sua paixão começou ouvindo a Rádio Nacional e se consolidou com a chegada da Bossa Nova, especialmente com João Gilberto.

Ele apresenta o programa “A Bossa Brasileira” na Rádio Uniara desde 2005, dedicado à Bossa Nova e suas vertentes. O programa ultrapassou mil edições. Chico prepara pessoalmente as músicas e informações, valorizando os compositores e o contexto histórico de cada canção.

Para ele, a música popular brasileira perdeu espaço na mídia tradicional, que prioriza modismos e músicas fáceis. No entanto, acredita que ainda há espaço para a MPB nas redes sociais e plataformas digitais.

Chico cita novos artistas e produtores que mantêm viva a tradição da Bossa Nova e da boa música, como Gustavo Cisneiros e Arnaldo DeSouteiro. Ele acredita que a qualidade musical ainda existe, mas precisa de espaço e valorização.

Defende também a importância das escolas de música e dos instrumentistas, que hoje são mais numerosos e qualificados graças à formação técnica.

Por fim, reflete sobre o impacto da inteligência artificial na música, reconhecendo seu potencial, mas ressaltando que nada substitui a sensibilidade humana na criação artística.

Chico Santoro encerra destacando que tanto na arquitetura quanto na música, o essencial é unir técnica, beleza e função — e que o verdadeiro artista é aquele que cria com propósito e emoção.

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