Chico
Santoro, arquiteto e amante da música popular brasileira, fala sobre sua
trajetória e reflexões sobre arquitetura, urbanismo e música.
O
arquiteto, pela sua gênese, tem uma ligação muito grande com a arte, a
engenharia, as exatas e o social. É formado para dar soluções sociais à
população de forma geral. No entanto, é pouco utilizado em construções de
aspecto social, como grandes conjuntos habitacionais, que muitas vezes são
padronizados e sem áreas verdes.
Para
Chico, a arquitetura moderna ainda prevalece, mesmo em 2025. Ele cita Oscar
Niemeyer, Vilanova Artigas, Ruy Ohtake e Le Corbusier como grandes nomes.
Acredita que o arquiteto deve criar, não seguir modas, pois a moda pode ser
passageira e até “burra”.
Ele
critica a falta de modernidade em muitos prédios brasileiros, que ainda
utilizam elementos clássicos ultrapassados. Destaca o edifício Copan, de
Niemeyer, como exemplo de arquitetura moderna e funcional.
Chico
defende que um bom projeto não é necessariamente mais caro e que o arquiteto
pode até economizar recursos ao cliente com um bom planejamento. Ele observa
que muitas casas em condomínios são semelhantes, resultado de modismos e não de
arquitetura verdadeira, que deve unir beleza e função.
Ao
falar sobre o espaço urbano, critica a “arquitetura de campo de concentração”,
com muros altos e cercas elétricas, reflexo da insegurança e da violência. Ele
também comenta sobre a poluição visual causada por fios e postes nas cidades,
defendendo o embutimento da fiação, ao menos nas áreas centrais.
Chico
considera que as cidades brasileiras são feias por falta de planejamento. Cita
Brasília como exemplo de cidade planejada e organizada. Para ele, o
planejamento urbano é uma ferramenta essencial, mas depende da vontade política
para ser efetivo.
Ele
relembra sua experiência como secretário de planejamento, quando trabalhou na
criação de leis para evitar a especulação imobiliária e melhorar a qualidade de
vida urbana. Defende a importância de áreas verdes, permeabilidade do solo e
fiscalização constante.
Chico
cita o conceito de “acupuntura urbana”, de Jaime Lerner, que propõe pequenas
intervenções capazes de transformar a cidade. Ele lamenta a perda da
arborização em Araraquara e defende o replantio e a manutenção das árvores.
Sobre
Curitiba, destaca o papel do IPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano
de Curitiba) e o legado de Jaime Lerner, que transformou a cidade em referência
mundial de urbanismo. Para ele, Araraquara deveria ter um instituto semelhante,
com técnicos dedicados exclusivamente ao planejamento urbano.
Chico
acredita que é possível fazer boa arquitetura mesmo com poucos recursos, desde
que haja planejamento e sensibilidade estética.
Além
da arquitetura, Chico é apaixonado pela música popular brasileira. Ele conta
que sua paixão começou ouvindo a Rádio Nacional e se consolidou com a chegada
da Bossa Nova, especialmente com João Gilberto.
Ele
apresenta o programa “A Bossa Brasileira” na Rádio Uniara desde 2005, dedicado
à Bossa Nova e suas vertentes. O programa ultrapassou mil edições. Chico
prepara pessoalmente as músicas e informações, valorizando os compositores e o
contexto histórico de cada canção.
Para
ele, a música popular brasileira perdeu espaço na mídia tradicional, que
prioriza modismos e músicas fáceis. No entanto, acredita que ainda há espaço
para a MPB nas redes sociais e plataformas digitais.
Chico
cita novos artistas e produtores que mantêm viva a tradição da Bossa Nova e da
boa música, como Gustavo Cisneiros e Arnaldo DeSouteiro. Ele acredita que a
qualidade musical ainda existe, mas precisa de espaço e valorização.
Defende
também a importância das escolas de música e dos instrumentistas, que hoje são
mais numerosos e qualificados graças à formação técnica.
Por
fim, reflete sobre o impacto da inteligência artificial na música, reconhecendo
seu potencial, mas ressaltando que nada substitui a sensibilidade humana na
criação artística.
Chico
Santoro encerra destacando que tanto na arquitetura quanto na música, o
essencial é unir técnica, beleza e função — e que o verdadeiro artista é aquele
que cria com propósito e emoção.

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