Friday, 5 April 2013

O Estado em Antonio Gramsci

Antonio Gramsci (1891 – 1937)


Antonio Gramsci nasceu no final do século XIX, foi militante político e revolucionário e ficou conhecido no mundo como discípulo de Karl Marx. Militou no Partido Comunista Italiano, foi preso por Benito Mussolini após a criação do Partido Fascista e desenvolveu a sua teoria política dentro do calabouço.

Gramsci se tornou um grande teórico político na medida em que conseguiu fazer uma releitura das obras de Karl Marx. A grande contribuição do pensamento de Antonio Gramsci para a sociedade, foi separar a figura do Estado, da Sociedade Civil – enquanto Marx, havia se debruçado e traçado linhas para a conquista do Estado como ponto fulcral das transformações sociais, Gramsci focou no desenvolvimento da sociedade civil.

Para Gramsci, o Estado possui a característica de ampliado, ou seja, se compõe de dois segmentos: Estado e Sociedade Civil. É necessário esclarecer que o Estado para Gramsci é composto pela sociedade política – nesse contexto, existem duas sociedades: a sociedade política e a sociedade civil.

Vale ressaltar que a sociedade civil é ponto central do pensamento de Antonio Gramsci, o que vai ser o grande diferencial do ponto de vista estabelecido por Karl Marx.

Na visão de Gramsci (2004), sociedade civil é

o conjunto de organismos designados vulgarmente como “privados” formados pelas organizações responsáveis tanto pela elaboração quanto pela difusão das ideologias, compreendendo assim o sistema escolar, as igrejas, os sindicatos, os partidos políticos, as organizações profissionais, a organização material da cultura (que se dá pelos jornais, revistas, editoras, meios de comunicação de massa), etc. Em suma, os ditos “aparelhos privados de hegemonia” – organismos sociais coletivos voluntários e relativamente autônomos em face da sociedade política (GRAMSCI, 2004)


A sociedade política na visão gramsciana é composta pelo conjunto de mecanismos através dos quais a classe dominante consegue manter e deter o monopólio do uso da força – através da organização burocrática e do aparelhamento da polícia e do exército.

Como a sociedade civil vai ser o ponto central do pensamento político de Antonio Gramsci – ele desenvolve outro conceito importante que irá caminhar conjuntamente com a sua visão de sociedade civil: o conceito de hegemonia.

A hegemonia para Gramsci é concebida através da capacidade de estabelecer o consenso, da persuasão, mas, não somente do ponto de vista econômico como pensava Karl Marx, mas também pelo modo de pensar, pelos pontos de vistas ideológicos e a visão de mundo, nesse contexto, a cultura passa a influenciar as relações políticas.

A hegemonia para Gramsci em linhas gerais é a “capacidade de unificar através da ideologia e de conservar unido um bloco social, não se restringindo ao aspecto político, mas compreendendo um fato cultural, moral, de concepção do mundo”.

Por conseguinte: qual a grande importância da sociedade civil para Gramsci? Gramsci conseguiu enxergar que é na sociedade civil que se estabelece a luta pela conquista da hegemonia política e que essa luta acontece entre as classes sociais.

Vale ressaltar que a luta para Gramsci, possui um nome: ação política. A ação política vai ser ponto importante porque será através dela que se estabelecerá o consenso, a negociação – o que de certa forma contribuirá para o desenvolvimento da democracia.

Nesse contexto, se estabelece a ligação entre o conceito de hegemonia gramsciano e a democracia uma vez que na visão de Gramsci esse seria o primeiro passo rumo a uma sociedade socialista.

A progressão do sistema democrático passa pela ampla participação da população nas tomadas de decisão do Estado.


Referências


GRAMSCI, Antonio. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização

Brasileira, 2ª edição, 1978.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, vol. 1, 3ª edição, 2004.

 
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