Thursday, 15 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Edimar Claro - Goleiro do futebol amador de Araraquara

 

 

Edmar foi goleiro de vários times de Araraquara e região. Sempre foi apaixonado por futebol desde pequeno. Morava no Quitandinha, onde havia um campo e um time local. O Antônio Raimundo, conhecido como Baixinho, o convidou para jogar, e assim começou sua trajetória no futebol amador. Apesar de não ser muito alto, tinha habilidade no gol e se destacou. Foi campeão em 1974 pelo Quitandinha, quando o time subiu de divisão.

Trabalhou em Campinas, na Robert Bosch, e jogava pelo time da empresa. Depois, foi contratado pelo Primavera de Indaiatuba, onde jogou campeonatos regionais. Recebia para jogar, mesmo não sendo profissional. Posteriormente, voltou para Araraquara e passou a jogar pelo Santana Futebol Clube, onde viveu uma das melhores fases da carreira. O Dr. Croch, presidente do clube, era uma figura muito querida e incentivava os jogadores com pequenas recompensas.

Edmar também jogou pelo Paulista, clube presidido por Mazinho e Dr. Alonso, ambos grandes incentivadores do futebol amador. Recorda-se de um jogo beneficente contra o time dos Milionários, de São Paulo, em que enfrentou Garrincha. A seleção amadora venceu por 1 a 0, e Edmar foi o goleiro titular.

Entre as lembranças marcantes, destaca a final de 1979 entre Santana e Tamoio, no Estádio Municipal, com público de mais de mil pessoas. O jogo terminou 3 a 2 para o Tamoio, em uma partida transmitida por Wilson Luiz e Osnei Montanari. Edmar guarda até hoje fitas com a narração desse jogo.

A arbitragem era intensa e, muitas vezes, polêmica. Os árbitros locais, como Tutu e Santo Gileno, eram conhecidos e respeitados, mas também havia desconfianças, o que levou à vinda de árbitros de outras cidades. A Liga Araraquarense de Futebol organizava os campeonatos e julgava os jogadores em caso de infrações.

Edmar lembra com carinho dos treinadores e dirigentes que marcaram época, como Clemente, Zé Alemão e Tota, que revelaram muitos talentos. O futebol amador era movido por paixão, e os jogadores jogavam por amor à camisa. Os treinos eram raros; a maioria dos times se reunia apenas no dia do jogo.

Ser goleiro no futebol amador era um desafio. Os campos eram irregulares, e muitas vezes sem grama. Edmar conta que jogou em campos onde um goleiro não via o outro, e que em algumas fazendas o público ficava bem próximo, incentivando e até provocando os jogadores.

Disputou várias finais pelo Santana, mas só foi campeão amador pela Atlética, jogando ao lado de grandes nomes como Coca, Pita e Leonel. Depois, continuou jogando nos campeonatos do Clube Náutico, onde foi campeão e muito respeitado. Mesmo sem ser sócio, era sempre convidado para jogar, até que comprou um título e permaneceu por muitos anos participando das competições.

Edmar também disputou a Copa Interbairros, representando o São José, e lembra com saudade da época em que o futebol amador era forte e movimentava a cidade. Hoje, lamenta a falta de campos e o fim dos grandes clubes amadores, substituídos por mini campos.

Para ele, o futebol mudou muito. Antigamente, havia amor à camisa e comprometimento. Hoje, os jogadores pensam mais na parte financeira. Ainda assim, reconhece o trabalho das escolinhas e projetos sociais que mantêm viva a tradição do futebol em Araraquara.

Com bom humor, Edmar recorda as viagens de caminhão para jogos em fazendas, as festas após as partidas e as histórias curiosas do futebol amador. Para ele, foi um tempo de muita amizade, paixão e aprendizado — uma época inesquecível da vida e da história esportiva de Araraquara.

 

 

 

 

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