Edmar
foi goleiro de vários times de Araraquara e região. Sempre foi apaixonado por
futebol desde pequeno. Morava no Quitandinha, onde havia um campo e um time
local. O Antônio Raimundo, conhecido como Baixinho, o convidou para jogar, e
assim começou sua trajetória no futebol amador. Apesar de não ser muito alto,
tinha habilidade no gol e se destacou. Foi campeão em 1974 pelo Quitandinha,
quando o time subiu de divisão.
Trabalhou
em Campinas, na Robert Bosch, e jogava pelo time da empresa. Depois, foi
contratado pelo Primavera de Indaiatuba, onde jogou campeonatos regionais.
Recebia para jogar, mesmo não sendo profissional. Posteriormente, voltou para
Araraquara e passou a jogar pelo Santana Futebol Clube, onde viveu uma das
melhores fases da carreira. O Dr. Croch, presidente do clube, era uma figura
muito querida e incentivava os jogadores com pequenas recompensas.
Edmar
também jogou pelo Paulista, clube presidido por Mazinho e Dr. Alonso, ambos
grandes incentivadores do futebol amador. Recorda-se de um jogo beneficente
contra o time dos Milionários, de São Paulo, em que enfrentou Garrincha. A
seleção amadora venceu por 1 a 0, e Edmar foi o goleiro titular.
Entre
as lembranças marcantes, destaca a final de 1979 entre Santana e Tamoio, no
Estádio Municipal, com público de mais de mil pessoas. O jogo terminou 3 a 2
para o Tamoio, em uma partida transmitida por Wilson Luiz e Osnei Montanari.
Edmar guarda até hoje fitas com a narração desse jogo.
A
arbitragem era intensa e, muitas vezes, polêmica. Os árbitros locais, como Tutu
e Santo Gileno, eram conhecidos e respeitados, mas também havia desconfianças,
o que levou à vinda de árbitros de outras cidades. A Liga Araraquarense de
Futebol organizava os campeonatos e julgava os jogadores em caso de infrações.
Edmar
lembra com carinho dos treinadores e dirigentes que marcaram época, como
Clemente, Zé Alemão e Tota, que revelaram muitos talentos. O futebol amador era
movido por paixão, e os jogadores jogavam por amor à camisa. Os treinos eram
raros; a maioria dos times se reunia apenas no dia do jogo.
Ser
goleiro no futebol amador era um desafio. Os campos eram irregulares, e muitas
vezes sem grama. Edmar conta que jogou em campos onde um goleiro não via o
outro, e que em algumas fazendas o público ficava bem próximo, incentivando e
até provocando os jogadores.
Disputou
várias finais pelo Santana, mas só foi campeão amador pela Atlética, jogando ao
lado de grandes nomes como Coca, Pita e Leonel. Depois, continuou jogando nos
campeonatos do Clube Náutico, onde foi campeão e muito respeitado. Mesmo sem
ser sócio, era sempre convidado para jogar, até que comprou um título e
permaneceu por muitos anos participando das competições.
Edmar
também disputou a Copa Interbairros, representando o São José, e lembra com
saudade da época em que o futebol amador era forte e movimentava a cidade.
Hoje, lamenta a falta de campos e o fim dos grandes clubes amadores,
substituídos por mini campos.
Para
ele, o futebol mudou muito. Antigamente, havia amor à camisa e comprometimento.
Hoje, os jogadores pensam mais na parte financeira. Ainda assim, reconhece o
trabalho das escolinhas e projetos sociais que mantêm viva a tradição do
futebol em Araraquara.
Com
bom humor, Edmar recorda as viagens de caminhão para jogos em fazendas, as
festas após as partidas e as histórias curiosas do futebol amador. Para ele,
foi um tempo de muita amizade, paixão e aprendizado — uma época inesquecível da
vida e da história esportiva de Araraquara.

No comments:
Post a Comment