Thursday, 15 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Renata Crespi - Bailarina

 

Renata Crespi conta que seus pais eram cantores de coral e que seu primeiro contato com a dança foi aos três anos, quando ganhou uma caixinha de música com uma bailarina girando. Encantada, começou a imitar a bailarina e, em uma apresentação do coral, entrou rodopiando com flores nas mãos. O maestro, impressionado, sugeriu aos pais que ela estudasse balé.

A partir daí, iniciou sua trajetória. Foi para Ribeirão Preto, onde um tio artista a encaminhou para uma escola de dança. Mais tarde, em Araraquara, começou a estudar com Cleusa de Souza Dias, bailarina do Teatro Municipal de São Paulo, e descobriu sua grande paixão.

Aos 12 anos, recebeu uma proposta para dar aulas em Taquaritinga. Com a autorização de um juiz, começou a lecionar e, no ano seguinte, fundou o Balé Renata Crespi.

Renata relembra que, naquela época, Araraquara era uma cidade conservadora, mas sua escola foi bem recebida. Ela destaca que o espaço sempre teve um ambiente familiar e acolhedor, onde a dança é o centro, mas o afeto e a união são fundamentais.

Com o tempo, o balé clássico foi se transformando e incorporando novas vertentes, como o balé neoclássico, a dança contemporânea e o sapateado. Renata ressalta que hoje a dança é para todos os corpos e que a rigidez do passado deu lugar à liberdade de expressão.

Ela explica que, embora o balé clássico seja a base de todas as danças, cada aluno encontra seu próprio caminho. Alguns seguem para o profissionalismo, outros dançam por prazer. Para os que desejam seguir carreira, a dedicação é intensa, com muitas audições e desafios.

Renata também fala sobre o papel do artista e as dificuldades de reconhecimento e patrocínio. Para ela, o artista é um trabalhador como qualquer outro, mas ainda luta por valorização. Mesmo assim, ela se orgulha de seus 50 anos de escola e de ter formado gerações de bailarinos e profissionais.

A coreógrafa compartilha histórias sobre o processo criativo, que pode surgir de qualquer lugar — de uma paisagem, de uma lembrança ou até de uma frase. Conta que já criou espetáculos inspirados em cenas do cotidiano, como as estações do ano representadas pelas esculturas do cemitério de Araraquara.

Durante a pandemia, adaptou-se e produziu espetáculos virtuais, aprendendo sobre vídeo e edição para manter viva a arte da dança. Em 2023, comemorou o jubileu de ouro da escola com um espetáculo sincronizado com cortina de LED, resultado de meses de trabalho e criatividade.

Renata acredita que criar é um ato divino. Para ela, dançar é se conectar com Deus e com a própria essência. Apesar de também ser diretora e professora, afirma que nada se compara à emoção de estar no palco.

Leitora assídua, diz que suas ideias surgem de livros, revistas, gibis e até bilhetes de restaurante. Ensina seus alunos a ler e a transformar histórias em movimento, incentivando a criatividade e a expressão pessoal.

Além da escola, Renata atua há mais de 12 anos em um projeto social, onde usa a dança como ferramenta de transformação. Lá, trabalha temas como respeito, convivência e superação, ajudando crianças e adolescentes a se expressarem e acreditarem em si mesmos.

Ela faz questão de não diferenciar alunos bolsistas dos demais, acreditando que todos devem ser tratados com igualdade e dignidade.

Renata também compartilha experiências internacionais, como o período em que estudou na Rússia e na Suécia, e fala sobre suas inspirações — entre elas, Rudolf Nureyev e Mikhail Baryshnikov.

Para ela, a dança é uma linguagem universal que ensina disciplina, respeito e sensibilidade. E, acima de tudo, é uma forma de curar almas.

Renata encerra dizendo que, se tivesse seguido o sonho de ser médica, talvez curasse corpos, mas que, com a dança, curou muito mais corações.

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