Olá
pessoal, vamos dar início a mais um podcast Uniara. Hoje o podcast recebe aqui
Alessandro Giannini, membro da comissão de arbitragem da Federação Paulista de
Ciclismo e participante da Federação.
É
um prazer enorme estar aqui, poder falar um pouco sobre a trajetória do
ciclismo não só araraquarense, como paulista e nacional, e algumas das funções
que a gente desempenha em prol do nosso esporte.
Na
verdade, para eu ser um dos precursores está longe, porque a história do
ciclismo remete a bem antes da década de 40, quando começaram a surgir os
primeiros ciclistas e a primeira equipe organizada de Araraquara, que começou a
participar das provas com o próprio Anésio Argenton, seu Adolfo Féccio e
outros. Esses foram de fato os precursores.
Nos
anos 90, iniciei no ciclismo como atleta, exatamente em 1990, e competi até o
final da década. A partir de 1995, assumi a equipe de ciclismo da Fundesport de
Araraquara, permanecendo até o final de 2001 no comando da equipe como técnico
e coordenador.
Em
1995, no meu primeiro ano de faculdade, assumi a equipe como técnico, uma
função que estava vaga, e iniciei o trabalho com muita vontade e interesse.
O
ciclismo não é um esporte muito difundido no Brasil, e minha entrada foi por
paixão. Quando criança, vi uma prova em São José do Rio Preto, minha cidade
natal, e aquilo me encantou. Meu pai prometeu uma Caloi 10 quando eu tivesse 10
anos, e essa bicicleta marcou minha história.
Comecei
a treinar com 15 para 16 anos e competir aos 16. Na época, não havia muitos
técnicos especializados, e o treinamento era baseado na experiência dos mais
velhos.
Minhas
referências foram o Anésio Argenton, em Araraquara, e grandes nomes
internacionais como Greg LeMond e Miguel Indurain. O Anésio foi um ídolo local,
um pistar de velódromo, e tive o privilégio de conviver com ele, já que
morávamos próximos.
Ele
foi um dos maiores ciclistas do Brasil e do mundo em sua especialidade,
velocidade e quilômetro contra o relógio, sendo considerado um dos 100 maiores
atletas do século 20 pela revista Época.
Nos
anos 90, o ciclismo era mais rústico. Treinávamos com base na tentativa e erro,
sem tecnologia, sem protetor solar, sem acompanhamento nutricional. Com o
tempo, fui me especializando em fisiologia do exercício, unindo o conhecimento
acadêmico à prática.
Fui
um dos pioneiros no desenvolvimento de testes de campo de lactato para ciclismo
no país, junto com o grupo de estudos da UFSCar.
Organizar
competições em Araraquara sempre foi tranquilo, pois a cidade tem tradição no
ciclismo. A Via Expressa sempre foi o palco principal das provas.
Nos
anos 80 e 90, o número de participantes era muito maior. Provas chegavam a
reunir 400 ciclistas. Hoje, há mais modalidades e divisões, como mountain bike,
BMX e ciclismo de estrada, o que dispersa os atletas.
A
prova “Troféu Anésio Argenton” é uma das mais tradicionais, criada em 1998 e
oficializada em 2001 como lei municipal. Desde 2009, integra a Copa São Paulo
de Ciclismo, válida para o ranking paulista e, em alguns anos, nacional.
A
Copa São Paulo é o maior campeonato de ciclismo por etapas do país, com provas
em várias cidades. Já tivemos até 17 etapas por temporada.
O
ciclismo tem várias modalidades: estrada, pista (velódromo), mountain bike e
BMX. Cada uma exige treinos e bicicletas específicas.
A
formação de base é essencial. Quanto antes o jovem começa, melhor. Com o tempo,
o técnico identifica se ele tem perfil para velocidade, montanha ou
resistência.
Minha
entrada na Federação Paulista foi natural, resultado do trabalho com a Copa São
Paulo e da experiência acumulada. Hoje, além de organizador, sou comissário de
arbitragem.
A
Copa São Paulo revelou grandes talentos, como Lauro Chaman, campeão mundial de
paraciclismo, e jovens que hoje competem na Europa, como Vitor César, da equipe
Movistar.
As
provas da Copa acontecem em cidades de diferentes portes, como Araraquara, São
Carlos, Bauru, Barretos e Lençóis Paulista. As distâncias variam conforme o
circuito, com média de 50 km para as categorias principais.
Como
árbitro, controlo as provas, registro voltas, fiscalizo fugas e chegadas, e uso
sistemas de fotofinish para definir resultados. É um trabalho intenso e
detalhado, com apoio de motos e rádios.
A
arbitragem é desafiadora, mas gratificante. Lidar com atletas, pais e o público
exige paciência e atenção.
Sobre
o doping, infelizmente ainda existe, principalmente em provas de alto nível. As
substâncias mais comuns são a eritropoetina (EPO) e os esteroides
anabolizantes. O controle é feito pela Autoridade Brasileira de Controle de
Dopagem, mas nem todas as provas têm fiscalização.
O
ciclismo evoluiu muito, mas o desafio de manter o esporte limpo e profissional
continua.
Foi
um prazer compartilhar um pouco dessa trajetória e da história do ciclismo
paulista e nacional.

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