Thursday, 15 January 2026

Conversas do Podcast Uniara: Alessandro Gianinni - Ciclista

 

Olá pessoal, vamos dar início a mais um podcast Uniara. Hoje o podcast recebe aqui Alessandro Giannini, membro da comissão de arbitragem da Federação Paulista de Ciclismo e participante da Federação.

É um prazer enorme estar aqui, poder falar um pouco sobre a trajetória do ciclismo não só araraquarense, como paulista e nacional, e algumas das funções que a gente desempenha em prol do nosso esporte.

Na verdade, para eu ser um dos precursores está longe, porque a história do ciclismo remete a bem antes da década de 40, quando começaram a surgir os primeiros ciclistas e a primeira equipe organizada de Araraquara, que começou a participar das provas com o próprio Anésio Argenton, seu Adolfo Féccio e outros. Esses foram de fato os precursores.

Nos anos 90, iniciei no ciclismo como atleta, exatamente em 1990, e competi até o final da década. A partir de 1995, assumi a equipe de ciclismo da Fundesport de Araraquara, permanecendo até o final de 2001 no comando da equipe como técnico e coordenador.

Em 1995, no meu primeiro ano de faculdade, assumi a equipe como técnico, uma função que estava vaga, e iniciei o trabalho com muita vontade e interesse.

O ciclismo não é um esporte muito difundido no Brasil, e minha entrada foi por paixão. Quando criança, vi uma prova em São José do Rio Preto, minha cidade natal, e aquilo me encantou. Meu pai prometeu uma Caloi 10 quando eu tivesse 10 anos, e essa bicicleta marcou minha história.

Comecei a treinar com 15 para 16 anos e competir aos 16. Na época, não havia muitos técnicos especializados, e o treinamento era baseado na experiência dos mais velhos.

Minhas referências foram o Anésio Argenton, em Araraquara, e grandes nomes internacionais como Greg LeMond e Miguel Indurain. O Anésio foi um ídolo local, um pistar de velódromo, e tive o privilégio de conviver com ele, já que morávamos próximos.

Ele foi um dos maiores ciclistas do Brasil e do mundo em sua especialidade, velocidade e quilômetro contra o relógio, sendo considerado um dos 100 maiores atletas do século 20 pela revista Época.

Nos anos 90, o ciclismo era mais rústico. Treinávamos com base na tentativa e erro, sem tecnologia, sem protetor solar, sem acompanhamento nutricional. Com o tempo, fui me especializando em fisiologia do exercício, unindo o conhecimento acadêmico à prática.

Fui um dos pioneiros no desenvolvimento de testes de campo de lactato para ciclismo no país, junto com o grupo de estudos da UFSCar.

Organizar competições em Araraquara sempre foi tranquilo, pois a cidade tem tradição no ciclismo. A Via Expressa sempre foi o palco principal das provas.

Nos anos 80 e 90, o número de participantes era muito maior. Provas chegavam a reunir 400 ciclistas. Hoje, há mais modalidades e divisões, como mountain bike, BMX e ciclismo de estrada, o que dispersa os atletas.

A prova “Troféu Anésio Argenton” é uma das mais tradicionais, criada em 1998 e oficializada em 2001 como lei municipal. Desde 2009, integra a Copa São Paulo de Ciclismo, válida para o ranking paulista e, em alguns anos, nacional.

A Copa São Paulo é o maior campeonato de ciclismo por etapas do país, com provas em várias cidades. Já tivemos até 17 etapas por temporada.

O ciclismo tem várias modalidades: estrada, pista (velódromo), mountain bike e BMX. Cada uma exige treinos e bicicletas específicas.

A formação de base é essencial. Quanto antes o jovem começa, melhor. Com o tempo, o técnico identifica se ele tem perfil para velocidade, montanha ou resistência.

Minha entrada na Federação Paulista foi natural, resultado do trabalho com a Copa São Paulo e da experiência acumulada. Hoje, além de organizador, sou comissário de arbitragem.

A Copa São Paulo revelou grandes talentos, como Lauro Chaman, campeão mundial de paraciclismo, e jovens que hoje competem na Europa, como Vitor César, da equipe Movistar.

As provas da Copa acontecem em cidades de diferentes portes, como Araraquara, São Carlos, Bauru, Barretos e Lençóis Paulista. As distâncias variam conforme o circuito, com média de 50 km para as categorias principais.

Como árbitro, controlo as provas, registro voltas, fiscalizo fugas e chegadas, e uso sistemas de fotofinish para definir resultados. É um trabalho intenso e detalhado, com apoio de motos e rádios.

A arbitragem é desafiadora, mas gratificante. Lidar com atletas, pais e o público exige paciência e atenção.

Sobre o doping, infelizmente ainda existe, principalmente em provas de alto nível. As substâncias mais comuns são a eritropoetina (EPO) e os esteroides anabolizantes. O controle é feito pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, mas nem todas as provas têm fiscalização.

O ciclismo evoluiu muito, mas o desafio de manter o esporte limpo e profissional continua.

Foi um prazer compartilhar um pouco dessa trajetória e da história do ciclismo paulista e nacional.

 

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