Marcos
Ciochini contou que sua história no jornalismo esportivo começou de forma
curiosa. Quando tinha cerca de 14 ou 15 anos, já era ouvinte assíduo de Zé
Roberto, narrador conhecido em Araraquara. Durante as transmissões da Copa
Cultura de Futsal, ele costumava acompanhar os jogos no Gigantão, no ginásio da
pista e até no Clube 22, quando este tinha um time de basquete no Campeonato
Paulista. Desde garoto, frequentava as cabines de transmissão e ajudava Zé
Roberto com as escalações dos times — uma tarefa que, segundo ele, continua
fazendo até hoje.
Sempre
apaixonado por rádio, esporte e pela Ferroviária, Marcos viu esse interesse se
transformar em profissão. Em 2000, após um acidente de carro sofrido por Zé
Roberto, ele começou a ajudar a equipe de esportes, mesmo sem fazer parte
oficialmente. Pouco tempo depois, recebeu a oportunidade de trabalhar na
redação, auxiliando o saudoso Wagner Belini. Naquela época, o trabalho era bem
diferente: não havia placares ao vivo na internet, e as informações vinham das
transmissões de rádio de outras cidades.
Com
o tempo, Marcos foi ganhando espaço. Seu primeiro teste como repórter aconteceu
durante uma partida de basquete da Uniara. Nervoso, gravou e regravou até
conseguir. A partir daí, começou a participar das transmissões e, desde então,
já são 25 anos de parceria com Zé Roberto.
Ele
lembra com carinho das viagens e das dificuldades enfrentadas no início da
carreira, quando as transmissões eram feitas com equipamentos analógicos e as
viagens para o interior eram longas e cansativas. Mesmo assim, guarda boas
lembranças de cada cobertura, especialmente das partidas da Ferroviária, clube
que aprendeu a amar desde criança.
Como
setorista da Ferroviária desde 2014, Marcos comenta que o jornalismo esportivo
mudou muito. Segundo ele, o futebol se tornou mais fechado e burocrático, com
restrições de acesso a treinos e entrevistas. Ainda assim, elogia a atual
gestão do clube pela boa relação com a imprensa.
Para
ele, a distância entre o time e a torcida é um dos grandes desafios. Acredita
que o marketing tem trabalhado para reaproximar o torcedor, mas que a cidade
também precisa valorizar mais o esporte local.
Sobre
sua relação com os torcedores, Marcos diz que é muito boa. Usa as redes sociais
principalmente para divulgar o trabalho e manter contato com ouvintes e amigos.
Ele também comenta as mudanças trazidas pela internet, que tornou o trabalho
mais dinâmico, mas também mais desafiador, já que as informações circulam
rapidamente.
Ao
longo dos anos, Marcos construiu uma ampla rede de contatos com empresários,
jogadores e dirigentes. Conta que, muitas vezes, as informações sobre
contratações chegam primeiro por meio dessas fontes. Apesar disso, reconhece
que lidar com jogadores é mais difícil, pois muitos preferem manter sigilo até
que os contratos sejam oficializados.
Entre
as histórias marcantes, ele lembra das dificuldades enfrentadas pela
Ferroviária nas divisões inferiores, especialmente nas campanhas da Série B1 em
2001 e 2004, quando o time jogava em estádios sem estrutura. Também recorda
viagens longas, como a ida a Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, para
cobrir um jogo da equipe.
Marcos
destaca que, apesar das transformações tecnológicas, o rádio continua tendo um
papel especial. Para ele, ouvir o jogo no rádio é uma experiência única, que
desperta a imaginação do ouvinte.
Sobre
a torcida da Ferroviária, afirma que é fiel e apaixonada, embora pequena. Os
torcedores mais assíduos estão sempre presentes, independentemente da fase do
time. Ele mesmo cresceu no meio da torcida organizada Boca do Lixo e carrega
esse amor até hoje, mesmo atuando como jornalista.
Entre
os times que mais o marcaram, cita o de 2015, campeão da Série A2, e o de 2019,
que chegou às quartas de final do Campeonato Paulista e foi eliminado pelo
Corinthians nos pênaltis. Também lembra do time de 2016, que começou bem, mas
se perdeu por problemas internos.
Marcos
comenta ainda sobre a arbitragem, destacando a importância de dar mais
estrutura e apoio psicológico aos árbitros, que muitas vezes não são
profissionalizados e enfrentam pressões intensas. Ele cita o caso do amigo
Thiago Duarte Peixoto, que teve a carreira abalada após um erro em um clássico,
e defende que as federações ofereçam mais suporte aos profissionais da
arbitragem.
Por
fim, fala com entusiasmo sobre o futuro da Ferroviária. O novo centro de
treinamento, que está sendo construído na estrada Araraquara-Américo
Brasiliense, deve oferecer uma estrutura moderna, com quatro campos,
alojamentos, hotel e miniestádio. Ele acredita que o clube tem potencial para
fazer uma boa campanha na Série B do Campeonato Brasileiro, desde que mantenha
a base e faça contratações pontuais.
Para
Marcos, o importante é que a Ferroviária se mantenha firme, fortalecendo sua
estrutura e sua relação com a torcida. Com humildade e trabalho, acredita que o
clube pode voltar a ocupar o espaço que merece no futebol brasileiro.

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