Friday, 16 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Marcos Ciochini - Jornalista esportivo

 

Marcos Ciochini contou que sua história no jornalismo esportivo começou de forma curiosa. Quando tinha cerca de 14 ou 15 anos, já era ouvinte assíduo de Zé Roberto, narrador conhecido em Araraquara. Durante as transmissões da Copa Cultura de Futsal, ele costumava acompanhar os jogos no Gigantão, no ginásio da pista e até no Clube 22, quando este tinha um time de basquete no Campeonato Paulista. Desde garoto, frequentava as cabines de transmissão e ajudava Zé Roberto com as escalações dos times — uma tarefa que, segundo ele, continua fazendo até hoje.

Sempre apaixonado por rádio, esporte e pela Ferroviária, Marcos viu esse interesse se transformar em profissão. Em 2000, após um acidente de carro sofrido por Zé Roberto, ele começou a ajudar a equipe de esportes, mesmo sem fazer parte oficialmente. Pouco tempo depois, recebeu a oportunidade de trabalhar na redação, auxiliando o saudoso Wagner Belini. Naquela época, o trabalho era bem diferente: não havia placares ao vivo na internet, e as informações vinham das transmissões de rádio de outras cidades.

Com o tempo, Marcos foi ganhando espaço. Seu primeiro teste como repórter aconteceu durante uma partida de basquete da Uniara. Nervoso, gravou e regravou até conseguir. A partir daí, começou a participar das transmissões e, desde então, já são 25 anos de parceria com Zé Roberto.

Ele lembra com carinho das viagens e das dificuldades enfrentadas no início da carreira, quando as transmissões eram feitas com equipamentos analógicos e as viagens para o interior eram longas e cansativas. Mesmo assim, guarda boas lembranças de cada cobertura, especialmente das partidas da Ferroviária, clube que aprendeu a amar desde criança.

Como setorista da Ferroviária desde 2014, Marcos comenta que o jornalismo esportivo mudou muito. Segundo ele, o futebol se tornou mais fechado e burocrático, com restrições de acesso a treinos e entrevistas. Ainda assim, elogia a atual gestão do clube pela boa relação com a imprensa.

Para ele, a distância entre o time e a torcida é um dos grandes desafios. Acredita que o marketing tem trabalhado para reaproximar o torcedor, mas que a cidade também precisa valorizar mais o esporte local.

Sobre sua relação com os torcedores, Marcos diz que é muito boa. Usa as redes sociais principalmente para divulgar o trabalho e manter contato com ouvintes e amigos. Ele também comenta as mudanças trazidas pela internet, que tornou o trabalho mais dinâmico, mas também mais desafiador, já que as informações circulam rapidamente.

Ao longo dos anos, Marcos construiu uma ampla rede de contatos com empresários, jogadores e dirigentes. Conta que, muitas vezes, as informações sobre contratações chegam primeiro por meio dessas fontes. Apesar disso, reconhece que lidar com jogadores é mais difícil, pois muitos preferem manter sigilo até que os contratos sejam oficializados.

Entre as histórias marcantes, ele lembra das dificuldades enfrentadas pela Ferroviária nas divisões inferiores, especialmente nas campanhas da Série B1 em 2001 e 2004, quando o time jogava em estádios sem estrutura. Também recorda viagens longas, como a ida a Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, para cobrir um jogo da equipe.

Marcos destaca que, apesar das transformações tecnológicas, o rádio continua tendo um papel especial. Para ele, ouvir o jogo no rádio é uma experiência única, que desperta a imaginação do ouvinte.

Sobre a torcida da Ferroviária, afirma que é fiel e apaixonada, embora pequena. Os torcedores mais assíduos estão sempre presentes, independentemente da fase do time. Ele mesmo cresceu no meio da torcida organizada Boca do Lixo e carrega esse amor até hoje, mesmo atuando como jornalista.

Entre os times que mais o marcaram, cita o de 2015, campeão da Série A2, e o de 2019, que chegou às quartas de final do Campeonato Paulista e foi eliminado pelo Corinthians nos pênaltis. Também lembra do time de 2016, que começou bem, mas se perdeu por problemas internos.

Marcos comenta ainda sobre a arbitragem, destacando a importância de dar mais estrutura e apoio psicológico aos árbitros, que muitas vezes não são profissionalizados e enfrentam pressões intensas. Ele cita o caso do amigo Thiago Duarte Peixoto, que teve a carreira abalada após um erro em um clássico, e defende que as federações ofereçam mais suporte aos profissionais da arbitragem.

Por fim, fala com entusiasmo sobre o futuro da Ferroviária. O novo centro de treinamento, que está sendo construído na estrada Araraquara-Américo Brasiliense, deve oferecer uma estrutura moderna, com quatro campos, alojamentos, hotel e miniestádio. Ele acredita que o clube tem potencial para fazer uma boa campanha na Série B do Campeonato Brasileiro, desde que mantenha a base e faça contratações pontuais.

Para Marcos, o importante é que a Ferroviária se mantenha firme, fortalecendo sua estrutura e sua relação com a torcida. Com humildade e trabalho, acredita que o clube pode voltar a ocupar o espaço que merece no futebol brasileiro.

 

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