A
história do Colorado começou na Câmara Municipal, na Praça Pedro Toledo, que
antigamente era um grande espaço aberto. Ali, Tota e outros treinadores se
juntaram e acabaram montando o time do Colorado. É uma história muito grande,
com várias pessoas que participaram. Depois, o Tota foi para um lado, outro foi
para outro, e acabou permanecendo o Zé Alemão.
O
Colorado nasceu nas bases da Praça Pedro Toledo, lá pelos anos 60. O sonho do
Zé sempre foi ter um campo próprio, um espaço para as crianças, porque ele
vivia pedindo emprestado campos para treinar. Às vezes combinava jogos e, de
última hora, tinha que voltar porque outro time ocupava o campo.
O
Zé chegou a ficar na Atlética, junto com meu irmão Adair, e tomava conta do
Colorado e da escolinha da Atlética. O forte do Colorado foi o futsal, porque o
Zé trabalhava no Clube Araraquarense e tinha acesso à quadra. Ele também
trabalhou na Liga de Futebol, a LAF, onde organizava campeonatos e torneios com
tudo muito bem planejado — horários, punições, juízes, mesários.
Ele
era muito organizado e fazia tudo com amor. Lavava os uniformes sozinho,
cuidava de tudo. Morava no CECAP e, mesmo com dificuldades, levava as crianças
para jogar em vários lugares. Às vezes faltava gasolina, e ele fazia de tudo
para não deixar de cumprir os compromissos.
O
Zé era uma figura. Brincalhão, mas muito sentimental e carente. Tinha uma
amizade muito forte com o Clemente, o Maú, o Mil e o Tonhão. Eles competiam
dentro de campo, mas fora dele eram grandes amigos.
O
Colorado sempre teve esse espírito de união. Hoje, quem continua o trabalho sou
eu, com o apoio do David, meu vice-presidente. Mantemos o mesmo princípio do
Zé: não cobrar das crianças. O objetivo é social, não financeiro.
Atualmente,
temos 87 crianças e uma lista de espera com mais de 100. Atendemos meninos e
meninas de diferentes realidades, sem distinção. Todos são tratados da mesma
forma. As mães ajudam com pequenas contribuições voluntárias, e o professor
Diogo é voluntário.
O
Colorado tem um campo próprio, construído com muito esforço. Fizemos mutirões,
compramos terra e grama, e montamos toda a estrutura com ajuda da comunidade.
Ainda estamos melhorando o espaço, buscando patrocínios para construir
vestiários e banheiros.
As
crianças aprendem não só futebol, mas também disciplina e respeito. Antes de
cada amistoso, cantamos o Hino Nacional. Exigimos juiz, mesário e ficha de
jogo, porque acreditamos que o esporte deve ser levado a sério.
O
Colorado revelou grandes jogadores, como Marinho Rã e Antônio Careca. O Zé
tinha uma relação próxima com o Careca, que nunca esqueceu suas origens e
sempre manteve contato.
O
Zé faleceu em 14 de fevereiro de 2015. Foi um momento muito difícil, mas o
legado dele continua vivo. Eu prometi que manteria o sonho dele, e é isso que
faço até hoje.
O
Colorado é mais do que um time. É um projeto de vida, um espaço de inclusão e
aprendizado. As crianças aprendem valores, convivem com diferentes realidades e
crescem com respeito e amor ao esporte.
Agradeço
a todos que apoiam o Colorado e convido para conhecer nosso trabalho. O sonho
do Zé Alemão continua vivo em cada criança que veste a camisa vermelha e
branca.
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