Friday, 16 January 2026

Conversas do Podcast Uniara: Cidinha Pavanelli

 

A história do Colorado começou na Câmara Municipal, na Praça Pedro Toledo, que antigamente era um grande espaço aberto. Ali, Tota e outros treinadores se juntaram e acabaram montando o time do Colorado. É uma história muito grande, com várias pessoas que participaram. Depois, o Tota foi para um lado, outro foi para outro, e acabou permanecendo o Zé Alemão.

O Colorado nasceu nas bases da Praça Pedro Toledo, lá pelos anos 60. O sonho do Zé sempre foi ter um campo próprio, um espaço para as crianças, porque ele vivia pedindo emprestado campos para treinar. Às vezes combinava jogos e, de última hora, tinha que voltar porque outro time ocupava o campo.

O Zé chegou a ficar na Atlética, junto com meu irmão Adair, e tomava conta do Colorado e da escolinha da Atlética. O forte do Colorado foi o futsal, porque o Zé trabalhava no Clube Araraquarense e tinha acesso à quadra. Ele também trabalhou na Liga de Futebol, a LAF, onde organizava campeonatos e torneios com tudo muito bem planejado — horários, punições, juízes, mesários.

Ele era muito organizado e fazia tudo com amor. Lavava os uniformes sozinho, cuidava de tudo. Morava no CECAP e, mesmo com dificuldades, levava as crianças para jogar em vários lugares. Às vezes faltava gasolina, e ele fazia de tudo para não deixar de cumprir os compromissos.

O Zé era uma figura. Brincalhão, mas muito sentimental e carente. Tinha uma amizade muito forte com o Clemente, o Maú, o Mil e o Tonhão. Eles competiam dentro de campo, mas fora dele eram grandes amigos.

O Colorado sempre teve esse espírito de união. Hoje, quem continua o trabalho sou eu, com o apoio do David, meu vice-presidente. Mantemos o mesmo princípio do Zé: não cobrar das crianças. O objetivo é social, não financeiro.

Atualmente, temos 87 crianças e uma lista de espera com mais de 100. Atendemos meninos e meninas de diferentes realidades, sem distinção. Todos são tratados da mesma forma. As mães ajudam com pequenas contribuições voluntárias, e o professor Diogo é voluntário.

O Colorado tem um campo próprio, construído com muito esforço. Fizemos mutirões, compramos terra e grama, e montamos toda a estrutura com ajuda da comunidade. Ainda estamos melhorando o espaço, buscando patrocínios para construir vestiários e banheiros.

As crianças aprendem não só futebol, mas também disciplina e respeito. Antes de cada amistoso, cantamos o Hino Nacional. Exigimos juiz, mesário e ficha de jogo, porque acreditamos que o esporte deve ser levado a sério.

O Colorado revelou grandes jogadores, como Marinho Rã e Antônio Careca. O Zé tinha uma relação próxima com o Careca, que nunca esqueceu suas origens e sempre manteve contato.

O Zé faleceu em 14 de fevereiro de 2015. Foi um momento muito difícil, mas o legado dele continua vivo. Eu prometi que manteria o sonho dele, e é isso que faço até hoje.

O Colorado é mais do que um time. É um projeto de vida, um espaço de inclusão e aprendizado. As crianças aprendem valores, convivem com diferentes realidades e crescem com respeito e amor ao esporte.

Agradeço a todos que apoiam o Colorado e convido para conhecer nosso trabalho. O sonho do Zé Alemão continua vivo em cada criança que veste a camisa vermelha e branca.

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