Antônio
Marcos, conhecido como 25, relembra sua trajetória marcada pela paixão pela
Ferroviária e pelo futebol de Araraquara. Sua história começa nas categorias de
base do União Esquina, sob o comando do lendário Tota, Washington Luiz da
Silva, um nome importante para o futebol local. Ele recorda com carinho os
tempos de treino nos campinhos próximos ao Tiro de Guerra, as amizades e os
jogos com companheiros como Adrianinho, Adilson Rock, Dinho, Dudinha, Pitanga,
Lelei e tantos outros que fizeram parte de sua juventude esportiva.
A
ligação de 25 com a Ferroviária nasceu cedo. Sua mãe vendia pipoca no estádio e
no Gigantão, e ele a ajudava, vendendo nas arquibancadas. Foi ali que surgiu a
paixão pelo time e pela torcida. Ele lembra com emoção das dificuldades que
enfrentaram, mas também da alegria de viver aquele ambiente. A Ferroviária,
segundo ele, era “raiz”, e o estádio era um ponto de encontro da comunidade.
Com
o tempo, 25 se envolveu com a torcida organizada Coração Grená, criada por
amigos como Soró e João Sedho. Ele viajou por todo o interior acompanhando o
time, mesmo nas fases mais difíceis, quando a Ferroviária disputava divisões
inferiores. Foram anos de estrada, ônibus lotados, desafios e amor
incondicional pelo clube. “Enquanto ela não subia, a gente não parava”,
recorda.
As
viagens eram marcadas por histórias curiosas e emocionantes. Ele lembra das
caravanas para Catanduva, das idas a Limeira, das brigas e reconciliações com
jogadores e técnicos, e da convivência intensa com outros torcedores. Mesmo
quando o time não vivia bons momentos, o sentimento de pertencimento e orgulho
pela Ferroviária nunca diminuiu. “Não fala mal da minha cidade e nem da
Ferroviária”, afirma com firmeza.
25
também viveu o futebol de dentro do campo, como gandula. Foram anos de
dedicação, trabalhando em jogos masculinos e femininos, em todas as categorias.
Ele se orgulha de ter conhecido grandes nomes do futebol, como Felipão, Thiago
Volpi, César Sampaio e Roque Júnior, e de ter vivido momentos marcantes, como o
carinho e respeito que recebeu de alguns deles.
Entre
as lembranças mais fortes, ele cita o episódio com o técnico João Martins, que,
após um desentendimento, o chamou para pedir desculpas pessoalmente — um gesto
que 25 guarda com gratidão. Também recorda com emoção o apoio da torcida e o
reconhecimento que sempre teve na cidade: “Tem gente que nem me dá bom dia, mas
fala da Ferroviária comigo”.
Mesmo
após tantas alegrias, ele também enfrentou decepções. Uma das mais dolorosas
foi quando, após um desentendimento com o goleiro Saulo durante um jogo, acabou
sendo afastado de suas funções como gandula. “Foi o que mais me doeu, porque
ser gandula era o que eu mais gostava. Eu vivia aquilo com amor”, conta. Apesar
disso, ele mantém o orgulho de sua trajetória e o amor pela Ferroviária
intactos.
A
história de 25 é também a história de sua família. Sua mãe, dona Dirce, foi uma
figura conhecida nas arquibancadas, vendendo pipoca por décadas. Sua filha e
seus netos herdaram o amor pelo time. “São quatro gerações de ferroviários”,
diz com emoção. Ele se lembra com carinho do tempo do basquete da Uniara, dos
jogos no Gigantão e da convivência com figuras queridas da cidade, como o
saudoso Fernandão.
Hoje,
25 carrega consigo o legado de uma vida dedicada à Ferroviária. Entre risadas,
lágrimas e memórias, ele resume sua história com simplicidade e orgulho: “Eu
vivi a Ferroviária. Vivi a torcida, vivi o campo, vivi o amor por esse time. E
não me arrependo de nada. Só me arrependo de estar velho e não poder acompanhar
mais”.

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