O
artista plástico Arace compartilha sua trajetória e reflexões sobre a arte de
rua. Ele conta que se formou em Publicidade em 2013 pela Uniara e que a
faculdade foi essencial para o desenvolvimento de sua carreira. Trabalhou em
agência de publicidade, na área de direção de arte, antes de se dedicar
integralmente às artes plásticas.
Desde
criança, Arace demonstrava interesse pelo desenho. Aos 13 anos, conheceu o
grafite por meio de revistas especializadas e se encantou com a estética
autoral e urbana dessa forma de expressão. Começou a praticar com amigos,
utilizando tintas vencidas que conseguiam em lojas, e enfrentou preconceitos e
abordagens policiais por causa da confusão entre grafite e pichação.
Com
o tempo, passou a compreender melhor o papel do grafite e a diferença entre as
duas linguagens. Para ele, a pichação é uma forma de comunicação entre
pichadores, enquanto o grafite é uma arte voltada à sociedade, com o objetivo
de transmitir mensagens visuais e reflexivas.
Arac
começou a receber convites para trabalhos comerciais e, após um período
conciliando a agência e os murais, decidiu se dedicar exclusivamente à arte. A
partir daí, construiu uma rede de clientes e passou a viver de suas criações.
Ele destaca a importância de equilibrar o trabalho autoral — que expressa sua
identidade artística — com o trabalho comercial, voltado às demandas de
empresas e clientes.
Hoje,
Arac realiza murais de grande escala em várias cidades do país, incluindo obras
para empresas de energia e indústrias. Ele também participa de editais e
festivais de arte urbana, como o Museu de Arte de Rua (MAR), em São Paulo, um
dos maiores do Brasil.
O
artista utiliza principalmente tintas acrílicas e sprays, escolhendo o material
conforme o tipo de obra. É patrocinado pela Brasil Tintas, empresa de Matão,
com a qual mantém parceria e atua como embaixador da marca.
Além
dos murais, Arac também pinta telas e realiza oficinas de arte urbana. Em
Araraquara, é responsável por diversas obras espalhadas pela cidade, incluindo
a primeira empena de grafite da região, feita com apoio da prefeitura. Ele
também organizou eventos coletivos, como o encontro de grafiteiros no muro do
Clube Araraquarense, reunindo artistas de diferentes gerações.
Sobre
o cenário atual, Arac acredita que a arte de rua vive um momento de
amadurecimento e reconhecimento. O grafite, antes marginalizado, hoje é
valorizado e incorporado à estética urbana. Ele ressalta a importância da ética
entre os artistas e da preservação da cultura do grafite, que vai muito além da
pintura em si.
Arac
também reflete sobre o impacto das tecnologias digitais e da inteligência
artificial na criação artística. Para ele, essas ferramentas podem servir como
apoio, mas o valor do trabalho manual e autoral tende a crescer, justamente por
sua autenticidade e singularidade.
O
artista vê o futuro da arte de rua no Brasil com otimismo: mais estruturada,
profissional e reconhecida. Seu objetivo é continuar ampliando o alcance de seu
trabalho autoral e contribuir para o fortalecimento da cena artística urbana no
país.

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