Monday, 19 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Tadeu Alves - Repórter

 

O podcast Uniara recebe uma lenda do jornalismo esportivo araraquarense, Tadeu Alves, que compartilha sua trajetória e memórias marcantes do esporte local. Ele relembra o início de sua carreira na década de 1980, quando realizou sua primeira transmissão esportiva em Araraquara, ainda nos tempos em que o rádio era o principal meio de comunicação e as transmissões eram feitas com cabos e fios.

Tadeu conta que começou cobrindo corridas de pedestrianismo, o que hoje chamamos de atletismo, e aos poucos foi se aproximando das rádios locais, como a Rádio Cultura e a Rádio Morada do Sol. Sua primeira experiência como repórter de campo foi marcada por nervosismo e emoção, mas também por aprendizado e paixão pelo jornalismo esportivo.

Ele relembra momentos históricos da Ferroviária, destacando o quanto o time representa para Araraquara e para o futebol paulista. Fala sobre o orgulho de ver a bandeira da Ferroviária em lugares distantes, como Buenos Aires e Portugal, e ressalta a importância de preservar a memória e o valor histórico do clube.

Durante sua carreira, Tadeu acompanhou a ascensão da Matonense, que saiu da quarta divisão e chegou à elite do futebol paulista, e viveu experiências intensas, como sair de um estádio escoltado pela polícia após um jogo acirrado. Ele também recorda o convívio com dirigentes e jogadores, as dificuldades enfrentadas e as transformações do jornalismo esportivo ao longo dos anos.

Sobre a Ferroviária, Tadeu destaca o vínculo afetivo que vem desde a infância, já que seu pai era ferroviário. Ele relembra os tempos em que o estádio da Fonte Luminosa lotava, as arquibancadas de madeira, os treinos puxados e o entusiasmo da torcida. Cita nomes históricos como Bazani, Bebeto, Peixinho e Teia, artilheiro do Campeonato Paulista de 1969, mesmo competindo com Pelé.

O jornalista também comenta os altos e baixos da Ferroviária, os acessos e descensos, e a importância de valorizar o passado glorioso do clube. Ele defende a retomada da ligação entre o time e a população, lembrando que, no passado, a Ferroviária promovia ações em escolas e distribuía ingressos para atrair torcedores.

Tadeu observa que a modernidade e as transmissões televisivas afastaram o público dos estádios, e que é preciso resgatar o espírito comunitário do futebol. Ele lamenta a burocracia e as restrições que dificultam o acesso dos torcedores e critica a falta de liberdade da imprensa esportiva atual, que hoje tem acesso limitado aos treinos e entrevistas.

Com bom humor, relembra episódios curiosos, como entrevistas em vestiários, confusões com técnicos e dirigentes, e até um tapa recebido de um preparador físico após uma brincadeira com um jogador. Apesar dos desafios, ele afirma que o jornalismo esportivo é uma profissão apaixonante e essencial para a preservação da história do esporte.

Tadeu também fala sobre o futebol amador de Araraquara, que sempre foi um celeiro de talentos e base para a Ferroviária. Recorda jogos memoráveis entre Palmeirinha e Benfica, a antiga Liga Araraquarense de Futebol e o envolvimento da comunidade com os times locais. Defende que o futebol amador precisa ser valorizado novamente, pois é nele que nascem os grandes jogadores e se fortalecem os laços entre esporte e sociedade.

Ao final, Tadeu reforça a importância de respeitar o passado e de manter viva a memória esportiva de Araraquara. Para ele, o futebol é mais do que um jogo: é parte da identidade da cidade e da vida de quem o viveu intensamente, dentro e fora dos gramados.

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