O
podcast Uniara recebe uma lenda do jornalismo esportivo araraquarense, Tadeu Alves,
que compartilha sua trajetória e memórias marcantes do esporte local. Ele
relembra o início de sua carreira na década de 1980, quando realizou sua
primeira transmissão esportiva em Araraquara, ainda nos tempos em que o rádio
era o principal meio de comunicação e as transmissões eram feitas com cabos e
fios.
Tadeu
conta que começou cobrindo corridas de pedestrianismo, o que hoje chamamos de
atletismo, e aos poucos foi se aproximando das rádios locais, como a Rádio
Cultura e a Rádio Morada do Sol. Sua primeira experiência como repórter de
campo foi marcada por nervosismo e emoção, mas também por aprendizado e paixão
pelo jornalismo esportivo.
Ele
relembra momentos históricos da Ferroviária, destacando o quanto o time
representa para Araraquara e para o futebol paulista. Fala sobre o orgulho de
ver a bandeira da Ferroviária em lugares distantes, como Buenos Aires e
Portugal, e ressalta a importância de preservar a memória e o valor histórico
do clube.
Durante
sua carreira, Tadeu acompanhou a ascensão da Matonense, que saiu da quarta
divisão e chegou à elite do futebol paulista, e viveu experiências intensas,
como sair de um estádio escoltado pela polícia após um jogo acirrado. Ele
também recorda o convívio com dirigentes e jogadores, as dificuldades
enfrentadas e as transformações do jornalismo esportivo ao longo dos anos.
Sobre
a Ferroviária, Tadeu destaca o vínculo afetivo que vem desde a infância, já que
seu pai era ferroviário. Ele relembra os tempos em que o estádio da Fonte
Luminosa lotava, as arquibancadas de madeira, os treinos puxados e o entusiasmo
da torcida. Cita nomes históricos como Bazani, Bebeto, Peixinho e Teia,
artilheiro do Campeonato Paulista de 1969, mesmo competindo com Pelé.
O
jornalista também comenta os altos e baixos da Ferroviária, os acessos e
descensos, e a importância de valorizar o passado glorioso do clube. Ele
defende a retomada da ligação entre o time e a população, lembrando que, no
passado, a Ferroviária promovia ações em escolas e distribuía ingressos para
atrair torcedores.
Tadeu
observa que a modernidade e as transmissões televisivas afastaram o público dos
estádios, e que é preciso resgatar o espírito comunitário do futebol. Ele
lamenta a burocracia e as restrições que dificultam o acesso dos torcedores e
critica a falta de liberdade da imprensa esportiva atual, que hoje tem acesso
limitado aos treinos e entrevistas.
Com
bom humor, relembra episódios curiosos, como entrevistas em vestiários,
confusões com técnicos e dirigentes, e até um tapa recebido de um preparador
físico após uma brincadeira com um jogador. Apesar dos desafios, ele afirma que
o jornalismo esportivo é uma profissão apaixonante e essencial para a
preservação da história do esporte.
Tadeu
também fala sobre o futebol amador de Araraquara, que sempre foi um celeiro de
talentos e base para a Ferroviária. Recorda jogos memoráveis entre Palmeirinha
e Benfica, a antiga Liga Araraquarense de Futebol e o envolvimento da
comunidade com os times locais. Defende que o futebol amador precisa ser
valorizado novamente, pois é nele que nascem os grandes jogadores e se
fortalecem os laços entre esporte e sociedade.
Ao
final, Tadeu reforça a importância de respeitar o passado e de manter viva a
memória esportiva de Araraquara. Para ele, o futebol é mais do que um jogo: é
parte da identidade da cidade e da vida de quem o viveu intensamente, dentro e
fora dos gramados.

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