Thursday, 22 January 2026

Conversas do Podcast Uniara com Marcelo Teroca - músico, professor e escritor

 

Marcelo Teroca é músico, compositor, professor de matemática e agente cultural da cidade de Araraquara. Ele conta que sua ligação com a música começou ainda na infância, quando acompanhava o pai e o tio aos jogos da Ferroviária. Nos intervalos das partidas, tocavam músicas que despertaram seu interesse. Mais tarde, na década de 1960, o rádio se tornou seu companheiro e foi através dele que ouviu, pela primeira vez, um samba de João Nogueira, interpretado por Eliana Pittman. A partir desse momento, o samba passou a fazer parte de sua vida.

Durante a juventude, Teroca formou um grupo de amigos que se reunia para tocar samba na calçada. Com o apoio do pai, comprou seus primeiros instrumentos de percussão. Mais tarde, ganhou de presente um cavaquinho de um comerciante local, o que o motivou a aprender o instrumento e manter viva a roda de samba. Assim nasceram suas primeiras composições e o início de uma trajetória musical que se consolidaria com o tempo.

Teroca sempre se identificou com o samba de terreiro, no estilo de Paulinho da Viola, mas também compôs sambas de roda e partido alto. Suas principais referências incluem João Nogueira, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione e Roberto Ribeiro. Ele destaca que, nas décadas passadas, cada artista tinha uma identidade própria, algo que considera raro na música atual.

Segundo ele, o samba continua vivo, embora com pouca visibilidade na grande mídia. A confusão entre samba e pagode, surgida no final dos anos 1980, contribuiu para o enfraquecimento do gênero tradicional. Para Teroca, o samba verdadeiro é um cronista social, que retrata a vida e a cultura do povo.

Em 1996, ele fundou o Clube do Samba em Araraquara, um espaço dedicado à preservação e divulgação do gênero. O local funcionava como ponto de encontro para músicos e apreciadores, com rodas de samba e um acervo de discos. No mesmo ano, começou a apresentar o programa Clube do Samba na Rádio Araraquara FM, que mais tarde passou para a Rádio Cultura. O programa alcançou grande audiência e recebeu ligações de ouvintes de várias partes do Brasil.

Paralelamente, Teroca escrevia uma coluna sobre samba no jornal O Imparcial e viajava ao Rio de Janeiro para reencontrar sambistas que estavam fora da mídia. Dessa convivência nasceram amizades e parcerias com nomes importantes do samba, como Monarco, Wilson Moreira, Zé Luiz do Império Serrano, Luiz Grande, Fabiana Cozza e Maria Marta.

Seu primeiro disco surgiu de forma inesperada, após uma apresentação no projeto Boteco do Cabral, do Sesc. Ele foi convidado a cantar um samba em homenagem a João Nogueira, o que emocionou o público e resultou na gravação de seu primeiro álbum em 2003. O segundo disco, Semba Coara – Morada do Samba, lançado em 2014 com apoio do ProAC e patrocínio da Lupo, reuniu músicos e intérpretes de Araraquara.

Teroca também é autor de mais de 500 sambas ainda inéditos. Suas composições nascem de momentos de inspiração, muitas vezes ligados a experiências pessoais e simbólicas. Ele relata, por exemplo, que a música “Até um Dia” surgiu após a morte de João Nogueira, inspirada pela aparição de um sabiá e um ipê amarelo em flor.

Outra história marcante é a da música “Bamboleio”, composta durante uma viagem a Jaú. A canção acabou se tornando um sucesso e rendeu a ele e à cantora Dona Iná o prêmio de melhor samba e melhor intérprete no Festival de Samba do Estado de São Paulo, em 2007.

Na Rádio Uniara, Teroca apresenta desde 2005 o programa Do Quintal ao Municipal, criado em parceria com o saudoso Tecão. O nome foi inspirado em um livro sobre chorinho de Henrique Cazes. O programa, transmitido aos sábados, já ultrapassou mil edições e é um espaço dedicado à valorização do samba e da música brasileira.

Além da música, Marcelo Teroca teve uma trajetória ligada ao futebol. Jogou nas categorias de base de Araraquara, atuando ao lado de Antônio Careca. Chegou a receber convites para jogar no Santos, na Ferroviária, no Comercial de Ribeirão Preto e no Guarani de Campinas, mas optou por seguir a carreira acadêmica. Formou-se em Engenharia Civil pela USP de São Carlos e se dedicou ao ensino da matemática.

Como professor e pesquisador, desenvolveu um trabalho que resultou em dois livros: A Arte da Coincidência – O Código Matemático da Existência (2020) e A Arte da Coincidência – O Código Depurado na Essência (2023). Nessas obras, ele explora a relação entre matemática, natureza e espiritualidade, analisando números como π (pi), e (número de Euler), φ (razão áurea) e outros conceitos ligados à teoria do caos e à física quântica. Para ele, a matemática é a linguagem universal da criação e revela a harmonia presente em todos os aspectos da vida.

No comments: