Marcelo
Teroca é músico, compositor, professor de matemática e agente cultural da
cidade de Araraquara. Ele conta que sua ligação com a música começou ainda na
infância, quando acompanhava o pai e o tio aos jogos da Ferroviária. Nos
intervalos das partidas, tocavam músicas que despertaram seu interesse. Mais
tarde, na década de 1960, o rádio se tornou seu companheiro e foi através dele
que ouviu, pela primeira vez, um samba de João Nogueira, interpretado por
Eliana Pittman. A partir desse momento, o samba passou a fazer parte de sua
vida.
Durante
a juventude, Teroca formou um grupo de amigos que se reunia para tocar samba na
calçada. Com o apoio do pai, comprou seus primeiros instrumentos de percussão.
Mais tarde, ganhou de presente um cavaquinho de um comerciante local, o que o
motivou a aprender o instrumento e manter viva a roda de samba. Assim nasceram
suas primeiras composições e o início de uma trajetória musical que se
consolidaria com o tempo.
Teroca
sempre se identificou com o samba de terreiro, no estilo de Paulinho da Viola,
mas também compôs sambas de roda e partido alto. Suas principais referências
incluem João Nogueira, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara,
Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione e Roberto Ribeiro. Ele destaca que, nas
décadas passadas, cada artista tinha uma identidade própria, algo que considera
raro na música atual.
Segundo
ele, o samba continua vivo, embora com pouca visibilidade na grande mídia. A
confusão entre samba e pagode, surgida no final dos anos 1980, contribuiu para
o enfraquecimento do gênero tradicional. Para Teroca, o samba verdadeiro é um
cronista social, que retrata a vida e a cultura do povo.
Em
1996, ele fundou o Clube do Samba em Araraquara, um espaço dedicado à
preservação e divulgação do gênero. O local funcionava como ponto de encontro
para músicos e apreciadores, com rodas de samba e um acervo de discos. No mesmo
ano, começou a apresentar o programa Clube do Samba na Rádio Araraquara FM, que
mais tarde passou para a Rádio Cultura. O programa alcançou grande audiência e
recebeu ligações de ouvintes de várias partes do Brasil.
Paralelamente,
Teroca escrevia uma coluna sobre samba no jornal O Imparcial e viajava ao Rio
de Janeiro para reencontrar sambistas que estavam fora da mídia. Dessa
convivência nasceram amizades e parcerias com nomes importantes do samba, como
Monarco, Wilson Moreira, Zé Luiz do Império Serrano, Luiz Grande, Fabiana Cozza
e Maria Marta.
Seu
primeiro disco surgiu de forma inesperada, após uma apresentação no projeto Boteco
do Cabral, do Sesc. Ele foi convidado a cantar um samba em homenagem a João
Nogueira, o que emocionou o público e resultou na gravação de seu primeiro
álbum em 2003. O segundo disco, Semba Coara – Morada do Samba, lançado em 2014
com apoio do ProAC e patrocínio da Lupo, reuniu músicos e intérpretes de
Araraquara.
Teroca
também é autor de mais de 500 sambas ainda inéditos. Suas composições nascem de
momentos de inspiração, muitas vezes ligados a experiências pessoais e
simbólicas. Ele relata, por exemplo, que a música “Até um Dia” surgiu após a
morte de João Nogueira, inspirada pela aparição de um sabiá e um ipê amarelo em
flor.
Outra
história marcante é a da música “Bamboleio”, composta durante uma viagem a Jaú.
A canção acabou se tornando um sucesso e rendeu a ele e à cantora Dona Iná o
prêmio de melhor samba e melhor intérprete no Festival de Samba do Estado de
São Paulo, em 2007.
Na
Rádio Uniara, Teroca apresenta desde 2005 o programa Do Quintal ao Municipal,
criado em parceria com o saudoso Tecão. O nome foi inspirado em um livro sobre
chorinho de Henrique Cazes. O programa, transmitido aos sábados, já ultrapassou
mil edições e é um espaço dedicado à valorização do samba e da música
brasileira.
Além
da música, Marcelo Teroca teve uma trajetória ligada ao futebol. Jogou nas
categorias de base de Araraquara, atuando ao lado de Antônio Careca. Chegou a
receber convites para jogar no Santos, na Ferroviária, no Comercial de Ribeirão
Preto e no Guarani de Campinas, mas optou por seguir a carreira acadêmica.
Formou-se em Engenharia Civil pela USP de São Carlos e se dedicou ao ensino da
matemática.
Como
professor e pesquisador, desenvolveu um trabalho que resultou em dois livros: A
Arte da Coincidência – O Código Matemático da Existência (2020) e A Arte da
Coincidência – O Código Depurado na Essência (2023). Nessas obras, ele explora
a relação entre matemática, natureza e espiritualidade, analisando números como
π (pi), e (número de Euler), φ (razão áurea) e outros conceitos ligados à
teoria do caos e à física quântica. Para ele, a matemática é a linguagem
universal da criação e revela a harmonia presente em todos os aspectos da vida.

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