Dr.
Mário Joel Malara, ex-presidente da Associação Ferroviária, diretor de futebol,
enfim, uma vida toda ligada à Associação Ferroviária de Esportes.
A
honra é minha de receber, há muito tempo que eu não tenho relacionamento mais
com o pessoal da Uniara e eu fico muito honrado com a presença dos senhores
para conversar sobre a Ferroviária aqui. Sejam bem-vindos e estou à disposição
dos senhores.
Já
existia a paixão pela Ferroviária, porque a Ferroviária praticamente existia,
mas ela tinha um campo muito antigo e disputava o Campeonato Paulista.
Araraquara tinha quatro times profissionais: Ferroviária, Paulista Futebol
Clube, São Paulo Futebol Clube e um time do DR que disputavam a segunda
divisão. Os dérbis municipais eram disputadíssimos e com grande público.
Eu
tinha um amigo, Antônio Salomão, e nós íamos juntos assistir à construção do
estádio. Conheci o fundador da Associação Ferroviária, Dr. Antônio Tavares
Pereira Lima, engenheiro-chefe da Fepasa em Araraquara. Ele viajava conosco
para Bauru e era muito ligado ao Dr. Flávio Ferraz de Carvalho.
Lembro-me
da ADA, dos dérbis com a Ferroviária. Eram disputadíssimos no antigo estádio
municipal. A torcida da ADA era do pessoal do Carmo e a da Ferroviária do resto
da cidade. Havia uma rivalidade constante. A ADA tinha uma camisa azul celeste
muito bonita.
Eu
já gostava da Ferroviária desde sempre. Primeiro fui torcedor, depois diretor.
Entrei como diretor na época do Antônio Nogueira Gama. Fui convidado para
participar da diretoria e acabei sendo presidente por influência do então
prefeito Valdemar de Santi.
A
Ferroviária era um clube artesanal financeiramente, vivia de patrocínios
locais. Quando comecei, não havia patrocínio, nem propaganda em camisa ou
campo. Sobrevivia das mensalidades dos sócios e da renda dos jogos.
A
relação com Aldo Comito era excelente. Ele foi um dos grandes presidentes da
Ferroviária, levou o time à primeira divisão duas vezes.
Contratar
jogadores era difícil, pois já custava caro. Buscávamos amadores e formávamos
jogadores na base. Grandes nomes nasceram dos clubes amadores da cidade. Às
vezes íamos pessoalmente buscar jogadores, como o Fogueira em Rio Preto.
A
renda dos jogos com clubes grandes era dividida e ajudava muito
financeiramente.
Basani
foi um marco na história da Ferroviária, jogador e depois treinador. Era
honesto, religioso e ajudava a organizar o clube.
A
pensão do São Geraldo dava muita despesa. Havia problemas de gestão, mas
corrigimos. Os jogadores moravam lá. A Ferroviária perdeu a pensão por
problemas trabalhistas e falta de resposta judicial.
O
Lua já estava lá quando cheguei, uma figura folclórica. Foi mandado embora e
depois readmitido após campanha no jornal.
As
categorias de base eram bem cuidadas, com Basani à frente. Dali saíram
jogadores como Douglas Onça e Valdir.
Minha
relação com os jogadores era próxima. Fazíamos reuniões semanais. A maioria era
da base, mas também havia jogadores de fora.
O
diretor Álvaro Valdemar Colino Júnior ajudava muito, conhecia futebol e trazia
jogadores.
A
relação com a Federação Paulista era boa. O presidente Nabi Abi Chedid era meu
amigo. Conseguimos manter a Ferroviária na Federação após problemas jurídicos.
Nunca
paguei árbitros por fora. Houve um caso com José de Assis Aragão, que
prejudicou a Ferroviária contra a Portuguesa. Fiz representação contra ele.
Acompanhei
a campanha de 1983, quando a Ferroviária disputou a Taça de Ouro. O presidente
era Antônio Parelli Filho, um apaixonado pelo clube.
Claudinho
Macalé foi um dos craques daquele time.
Em
1985, o time tinha Paulo Martins, Serginho Dourado e Cardim. O Colino contratou
muitos jogadores.
Tivemos
bons jogadores como Fogueira e Bani.
Viajar
com os jogadores era tranquilo, todos disciplinados.
Treinadores
eram demitidos por resultados. Basani era o reserva e também treinador.
Sérgio
Cléic foi meu treinador, um sujeito espetacular. Saiu para o Palmeiras após boa
fase.
Mazinho
veio do Santos, trazido por Colino. Um sujeito espetacular.
O
vereador Mazinho, meu amigo, também foi uma figura marcante.
Dr.
José Wellington Pinto foi um grande presidente e advogado, me ajudou muito.
Sinto
falta de homenagens a figuras históricas de Araraquara, como Valdemar De Sant e
José Wellington Pinto.
A
Ferroviária perdeu parte de sua identidade ao se tornar uma S.A. Muitos
torcedores se afastaram.
Eu
não assisto aos jogos por emoção. Sofro muito.
A
Ferroviária me deu alegrias, mas também muito sofrimento e decepção.
Minha
família sofreu junto. Meu filho não gosta de futebol por causa disso.
Mas
guardo com carinho tudo o que vivi pela Ferroviária.

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