Monday, 19 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Ex Presidente da Associação Ferroviária de Esportes - Dr. Mario Joel Malara

 


Dr. Mário Joel Malara, ex-presidente da Associação Ferroviária, diretor de futebol, enfim, uma vida toda ligada à Associação Ferroviária de Esportes.

A honra é minha de receber, há muito tempo que eu não tenho relacionamento mais com o pessoal da Uniara e eu fico muito honrado com a presença dos senhores para conversar sobre a Ferroviária aqui. Sejam bem-vindos e estou à disposição dos senhores.

Já existia a paixão pela Ferroviária, porque a Ferroviária praticamente existia, mas ela tinha um campo muito antigo e disputava o Campeonato Paulista. Araraquara tinha quatro times profissionais: Ferroviária, Paulista Futebol Clube, São Paulo Futebol Clube e um time do DR que disputavam a segunda divisão. Os dérbis municipais eram disputadíssimos e com grande público.

Eu tinha um amigo, Antônio Salomão, e nós íamos juntos assistir à construção do estádio. Conheci o fundador da Associação Ferroviária, Dr. Antônio Tavares Pereira Lima, engenheiro-chefe da Fepasa em Araraquara. Ele viajava conosco para Bauru e era muito ligado ao Dr. Flávio Ferraz de Carvalho.

Lembro-me da ADA, dos dérbis com a Ferroviária. Eram disputadíssimos no antigo estádio municipal. A torcida da ADA era do pessoal do Carmo e a da Ferroviária do resto da cidade. Havia uma rivalidade constante. A ADA tinha uma camisa azul celeste muito bonita.

Eu já gostava da Ferroviária desde sempre. Primeiro fui torcedor, depois diretor. Entrei como diretor na época do Antônio Nogueira Gama. Fui convidado para participar da diretoria e acabei sendo presidente por influência do então prefeito Valdemar de Santi.

A Ferroviária era um clube artesanal financeiramente, vivia de patrocínios locais. Quando comecei, não havia patrocínio, nem propaganda em camisa ou campo. Sobrevivia das mensalidades dos sócios e da renda dos jogos.

A relação com Aldo Comito era excelente. Ele foi um dos grandes presidentes da Ferroviária, levou o time à primeira divisão duas vezes.

Contratar jogadores era difícil, pois já custava caro. Buscávamos amadores e formávamos jogadores na base. Grandes nomes nasceram dos clubes amadores da cidade. Às vezes íamos pessoalmente buscar jogadores, como o Fogueira em Rio Preto.

A renda dos jogos com clubes grandes era dividida e ajudava muito financeiramente.

Basani foi um marco na história da Ferroviária, jogador e depois treinador. Era honesto, religioso e ajudava a organizar o clube.

A pensão do São Geraldo dava muita despesa. Havia problemas de gestão, mas corrigimos. Os jogadores moravam lá. A Ferroviária perdeu a pensão por problemas trabalhistas e falta de resposta judicial.

O Lua já estava lá quando cheguei, uma figura folclórica. Foi mandado embora e depois readmitido após campanha no jornal.

As categorias de base eram bem cuidadas, com Basani à frente. Dali saíram jogadores como Douglas Onça e Valdir.

Minha relação com os jogadores era próxima. Fazíamos reuniões semanais. A maioria era da base, mas também havia jogadores de fora.

O diretor Álvaro Valdemar Colino Júnior ajudava muito, conhecia futebol e trazia jogadores.

A relação com a Federação Paulista era boa. O presidente Nabi Abi Chedid era meu amigo. Conseguimos manter a Ferroviária na Federação após problemas jurídicos.

Nunca paguei árbitros por fora. Houve um caso com José de Assis Aragão, que prejudicou a Ferroviária contra a Portuguesa. Fiz representação contra ele.

Acompanhei a campanha de 1983, quando a Ferroviária disputou a Taça de Ouro. O presidente era Antônio Parelli Filho, um apaixonado pelo clube.

Claudinho Macalé foi um dos craques daquele time.

Em 1985, o time tinha Paulo Martins, Serginho Dourado e Cardim. O Colino contratou muitos jogadores.

Tivemos bons jogadores como Fogueira e Bani.

Viajar com os jogadores era tranquilo, todos disciplinados.

Treinadores eram demitidos por resultados. Basani era o reserva e também treinador.

Sérgio Cléic foi meu treinador, um sujeito espetacular. Saiu para o Palmeiras após boa fase.

Mazinho veio do Santos, trazido por Colino. Um sujeito espetacular.

O vereador Mazinho, meu amigo, também foi uma figura marcante.

Dr. José Wellington Pinto foi um grande presidente e advogado, me ajudou muito.

Sinto falta de homenagens a figuras históricas de Araraquara, como Valdemar De Sant e José Wellington Pinto.

A Ferroviária perdeu parte de sua identidade ao se tornar uma S.A. Muitos torcedores se afastaram.

Eu não assisto aos jogos por emoção. Sofro muito.

A Ferroviária me deu alegrias, mas também muito sofrimento e decepção.

Minha família sofreu junto. Meu filho não gosta de futebol por causa disso.

Mas guardo com carinho tudo o que vivi pela Ferroviária.

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