Tuesday, 20 January 2026

Conversas do Podcast Uniara com Max Carrasco - ex jogador de futebol

 

Sou natural de Belo Horizonte, Minas Gerais. Nasci em BH quando meu pai, Wilson Carrasco, ainda atuava pelo Cruzeiro. Vim de lá muito pequeno para Américo Brasiliense, onde fui criado com meus dois irmãos. Desde cedo, sempre adorei futebol — nasci praticamente com a bola debaixo do braço. Meu pai foi minha grande inspiração, e isso me levou a seguir o mesmo caminho.

Atuei em Américo Brasiliense na escolinha até os 12 ou 13 anos, depois fui para a Ferroviária, onde meu pai era treinador do Juniores. Fiquei lá por quase um ano, treinando e estudando em Araraquara. Meus pais sempre exigiram que eu mantivesse os estudos.

Com 16 para 17 anos, tive a oportunidade de ir para o Garça, através da empresa American Sports, que depois comprou o Marília. Fui aprovado no teste, mas o treinador me pediu para jogar como lateral-direito, embora eu fosse meia. Aceitei o desafio e comecei a trilhar meu caminho profissional.

Quando a empresa comprou o Marília, todos os jogadores do Garça foram levados para lá. O time subiu da segunda para a primeira divisão do Paulistão e manteve-se na Série C do Brasileiro. Eu ainda era juvenil, mas já treinava com o profissional.

Depois, passei pela Portuguesa, Itano e Atlético Sorocaba. Em 2004, voltei para a Ferroviária, que havia se tornado SAF. Fiquei três anos no clube, cursando Educação Física na Uniara. Fomos campeões da Copa Federação Paulista em 2006.

Em 2007, voltei ao Marília, onde meu pai também estava. Estreei no profissional sob o comando dele, em um jogo contra o Ituano. Fui eleito o melhor em campo e, a partir daí, minha carreira decolou. Enfrentei grandes clubes e cheguei a receber proposta do Málaga, da Espanha.

Depois, joguei no Grêmio Barueri, onde vivi uma grande fase. Subimos para a Série A e fomos campeões paulistas do interior em 2008. O clube tinha uma estrutura excelente, e trabalhei com grandes treinadores, como Márcio Araújo.

Mais tarde, atuei no Noroeste e depois fui para o Ipatinga, onde fiquei três anos. Fomos campeões mineiros do interior e vencemos o Cruzeiro na semifinal. Apesar das conquistas, o clube enfrentava sérios problemas financeiros, e até hoje tenho salários atrasados daquela época.

Em 2010, fui emprestado ao Japão, para o Vegalta Sendai. Vivi uma experiência marcante, pois estava lá quando ocorreu o terremoto e o tsunami. Foi uma situação de pânico, mas conseguimos retornar ao Brasil em segurança. Voltei ao Japão depois, mas sofri uma lesão na coluna e precisei passar por cirurgia.

Após a recuperação, retornei ao Ipatinga, mas a situação financeira era ainda pior. Depois, joguei no Vila Nova, Luverdense, Anápolis, Asa de Arapiraca e outros clubes. No Asa, enfrentei o Palmeiras em Londrina — o primeiro gol do Gabriel Jesus como profissional foi contra nós.

Trabalhei com grandes treinadores, mas o maior de todos foi meu pai. Ele me ensinou tudo — dentro e fora de campo. Joguei com atletas incríveis, como Renato Cajá, Fernandinho, Thiago Humberto e Val Baiano.

Encerrei minha carreira por desgaste mental, não físico. O futebol exige foco constante, e, no fim, o cansaço é mais psicológico do que corporal. Hoje, trabalho com categorias de base em Araraquara, junto ao Vica Sports, e priorizo estar perto da minha família.

O tempo que passei longe foi valioso, mas agora quero aproveitar o que realmente importa: estar com quem amo e retribuir tudo o que o futebol me deu.

No comments: