Tuesday, 20 January 2026

Conversas do Podcast Uniara - Odair Peta - jornalista esportivo

 

Peta, jornalista araraquarense de coração, contou que chegou de São Paulo a Araraquara em 1993. Trabalhava com peças de tratores e decidiu mudar-se para o interior para criar os filhos. Montou uma loja de peças de trator no bairro Quitandinha, mas após um assalto e um golpe, perdeu o trator e ficou sem recursos. Mesmo assim, decidiu permanecer na cidade.

Por ser esportista, começou a jogar futebol em clubes locais como Melusa e Avar, o que o ajudou a criar amizades e se integrar à comunidade. Após recuperar o trator roubado, enfrentou dificuldades financeiras e começou a ajudar a esposa a vender salgados.

A virada aconteceu quando conheceu o professor Ylton Telaroli, dono de uma escolinha de futebol. Peta passou a trabalhar com ele e, posteriormente, assumiu a escolinha Chute Inicial Corinthians, que chegou a ter 700 alunos.

Durante os treinos, começou a filmar os jogos das crianças para corrigir os movimentos dos goleiros. Um dia, improvisou uma narração e foi elogiado por ter talento para o rádio. Em 1998, narrou a Copa Cultura de Futsal, evento que marcou o início de sua trajetória como narrador esportivo.

A partir daí, passou a filmar e narrar jogos amadores, chegando a realizar mais de 450 gravações. Foi convidado por Elídio Pinheiro para trabalhar na Rádio Brasil FM, onde aprendeu a operar mesa de som e criou o programa Esporte e Lazer. O sucesso foi tanto que o programa passou de duas para quatro horas de duração.

Depois, foi convidado por Virgílio Quintão para trabalhar na Rádio Morada do Sol, onde permaneceu por sete anos e meio. O programa era voltado ao esporte amador e recebia dezenas de ligações dos ouvintes. Peta organizava sorteios e eventos esportivos, chegando a realizar um programa de sete horas ao vivo com torneios e apresentações musicais.

Trabalhou ao lado de Wilson Luiz, narrador esportivo que considerava um professor e grande amigo. Juntos, chegaram a fazer transmissões de 12 horas seguidas.

Peta também teve forte envolvimento com o esporte amador de Araraquara, cobrindo diversas modalidades como atletismo, basquete, judô, taekwondo, tênis e bocha.

Sua relação com a Ferroviária começou quando seu filho jogava nas categorias de base. Ele doava uniformes e bolas para os times, mas acabou se afastando após sentir falta de reconhecimento e apoio da nova gestão.

Manteve boas relações com ex-jogadores como Donato, Julimar, Edmilson, Rosa, Hermínio e Bazani, com quem viveu muitas histórias. Recordou com carinho o treinador Armando Clemente, a quem ajudava em ações sociais e que faleceu pouco tempo após uma entrevista emocionante concedida a ele.

Peta lamenta o enfraquecimento do esporte amador em Araraquara, especialmente do futebol, que, segundo ele, “acabou” com o fim da liga e a falta de espaços adequados para treinos e jogos. Criticou a ausência de políticas públicas e a falta de união entre dirigentes e clubes.

Apesar das dificuldades, ele mantém viva a paixão pelo esporte e pela comunicação, lembrando com orgulho de sua trajetória construída com esforço, improviso e amor pelo que faz.

 

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