Peta,
jornalista araraquarense de coração, contou que chegou de São Paulo a
Araraquara em 1993. Trabalhava com peças de tratores e decidiu mudar-se para o
interior para criar os filhos. Montou uma loja de peças de trator no bairro
Quitandinha, mas após um assalto e um golpe, perdeu o trator e ficou sem
recursos. Mesmo assim, decidiu permanecer na cidade.
Por
ser esportista, começou a jogar futebol em clubes locais como Melusa e Avar, o
que o ajudou a criar amizades e se integrar à comunidade. Após recuperar o
trator roubado, enfrentou dificuldades financeiras e começou a ajudar a esposa
a vender salgados.
A
virada aconteceu quando conheceu o professor Ylton Telaroli, dono de uma
escolinha de futebol. Peta passou a trabalhar com ele e, posteriormente,
assumiu a escolinha Chute Inicial Corinthians, que chegou a ter 700 alunos.
Durante
os treinos, começou a filmar os jogos das crianças para corrigir os movimentos
dos goleiros. Um dia, improvisou uma narração e foi elogiado por ter talento
para o rádio. Em 1998, narrou a Copa Cultura de Futsal, evento que marcou o
início de sua trajetória como narrador esportivo.
A
partir daí, passou a filmar e narrar jogos amadores, chegando a realizar mais
de 450 gravações. Foi convidado por Elídio Pinheiro para trabalhar na Rádio
Brasil FM, onde aprendeu a operar mesa de som e criou o programa Esporte e
Lazer. O sucesso foi tanto que o programa passou de duas para quatro horas
de duração.
Depois,
foi convidado por Virgílio Quintão para trabalhar na Rádio Morada do Sol, onde
permaneceu por sete anos e meio. O programa era voltado ao esporte amador e
recebia dezenas de ligações dos ouvintes. Peta organizava sorteios e eventos
esportivos, chegando a realizar um programa de sete horas ao vivo com torneios
e apresentações musicais.
Trabalhou
ao lado de Wilson Luiz, narrador esportivo que considerava um professor e
grande amigo. Juntos, chegaram a fazer transmissões de 12 horas seguidas.
Peta
também teve forte envolvimento com o esporte amador de Araraquara, cobrindo
diversas modalidades como atletismo, basquete, judô, taekwondo, tênis e bocha.
Sua
relação com a Ferroviária começou quando seu filho jogava nas categorias de
base. Ele doava uniformes e bolas para os times, mas acabou se afastando após
sentir falta de reconhecimento e apoio da nova gestão.
Manteve
boas relações com ex-jogadores como Donato, Julimar, Edmilson, Rosa, Hermínio e
Bazani, com quem viveu muitas histórias. Recordou com carinho o treinador
Armando Clemente, a quem ajudava em ações sociais e que faleceu pouco tempo
após uma entrevista emocionante concedida a ele.
Peta
lamenta o enfraquecimento do esporte amador em Araraquara, especialmente do
futebol, que, segundo ele, “acabou” com o fim da liga e a falta de espaços
adequados para treinos e jogos. Criticou a ausência de políticas públicas e a
falta de união entre dirigentes e clubes.
Apesar
das dificuldades, ele mantém viva a paixão pelo esporte e pela comunicação,
lembrando com orgulho de sua trajetória construída com esforço, improviso e
amor pelo que faz.

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